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BLOG DO LÍNGUA | ||||||
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O Elemento Lizoel
Quando a Globo anunciou o Festival dos Festivais em mil- novecentos-e-oitenta-e-não-me-lembro-mais, fui à casa do Lizoel. Falei: - Tenho uma música nova, queria gravar num cassette e mandar pra seleção. Era “Os metaleiros também amam”. Lizoel era sempre zoado pelos colegas de Língua de Trapo por, vez em quando, emitir agudas microfonias de sua guitarra Dolphin durantes os shows. Por ser meio atrapalhado entre fios e pedais, brincávamos dizendo que ele era o inventor de uma nova medida de som distorcido: os “lizoéis”. Com um jeito de operador de som distraído e um eterno cigarro metido no canto da boca, me recebeu em sua casa, perto da hoje Fnac de Pinheiros, para a sessão de gravação da “fita”. Começo de tarde. E havíamos tomado todas em algum boteco da Vila Madalena na noite anterior. Antes de irmos para seu quarto-estúdio de som, Lizoel fez o ritual que o acompanhava sempre que estava de ressaca: ia assobiando até a geladeira e tomava um copo gigantesco de chá de losna. Depos acendia o primeiro cigarro do dia e começava a raciocinar de fato. Quando vi a profusão de fios espalhados pelo chão, paredes e até pelo beliche achei que nunca consumaríamos o registro. Lizoel foi fazendo tentativas-erro (era mestre nisso) com dezenas de fios coloridos. Enfiava um num plug, saia um som grave. Metia outro numa conexão, rugia uma microfonia estrondosa. Foi assim durante meia hora. Depois do chá de experiências sonoras que bem poderiam figurar num disco da fase mais cabeça do Rogério Duprat, o nosso amigo conseguiu me dar um microfone e postou-se em outro com sua guitarra. Cantei à minha maneira e ele sugeriu um introdução. Que, alias, é a que está na canção até hoje. Como eram tempos totalmente espontâneos, onde a vida era para ser vivida e não pensada, fizemos uma vez só e achamos que já estava ótima. Peguei a fita e combinamos de mais tarde ir beber no Avenida Danças. Meses depois, assistindo ao ensaio de “Os metaleiros também amam” no Maracanãzinho, ouvi o Nelson Motta, um dos coordenadores do Festival, dizer ao diretor Roberto Talma. Isso bem na hora em que o Língua deixou o palco: - Mas e aquele cara da fita? Tinha que ser ele cantando com aquela guitarra, porra! Aquilo sim! É óbvio que sou muito mais a interpretação do Pituco e do Sarrumor. Tanto que convidei o Língua de Trapo para defender a música e ela foi para a finalíssima. Mas naquela singela fita-cassette havia um elemento que ninguém poderia traduzir num palco: o elemento Lizoel. Viva Lizoel!
Escrito por C. Castelo às 12h53 [] [envie esta mensagem] Viva Lizoel! Depois de longo tempo volto aqui pra falar do Lizoel. Guitarrista da formação histórica do grupo, meu parceiro e amigo de boemia na noite paulistana. Lizo teve sérios contratempos de saúde. Internações, operação e até na UTI foi parar. Acompanhamos via e-mail, sempre vibrando positivamente, as notícias através de sua irmã Nádia. Hoje soube por um amigo em comum, o Mário Casanova, que Lizoel estaria fora de perigo. A notícia não foi confirmada por ninguém da família do célebre "Barrigo Barnabé", porém, a fonte é boa e torço pra que esteja corretíssima. Não vejo a hora de presenciar novamente o companheiro de tantas marchas e contramarchas conversando naquele seu estilo particular, chamando todos de "bitcho" e dando indescritíveis risadas agudas. Que os deuses da Comédia estejam aí te dando força, amigo Lizoel. Você precisa voltar logo pra seu lugar de eterno linguarudo. Vejam o mestre da guitarra humorística em ação no meu blog: http://castelorama.blogspot.com
Escrito por C. Castelo às 22h52 [] [envie esta mensagem] | ||||||