Há alguns dias, Frank Japa postou uma versão bossanovística de elevador de I want to hold your hand, dos The Beatles.
Bacana. Mas eu acho que essa aqui tem mais a cara do Língua de Trapo...
The Rebels – O Bode e a Cabra
O bode saiu com a cabra Os dois andavam à pé O bode pisou na cabra A cabra gritou bé (3x) A cabra estremecida Com tanta dor no pé O bode arrependido Pediu desculpas, bé (3x) A cabra então se contorcia de dor no pé Pois não havia o que curasse O seu pé, o seu pé, o seu pé O bode foi tomar banho porém não dava a pé A cabra toda assustada tornou a gritar bé, tornou a gritar bé, tornou a gritar bé
O bode então não se arriscou Deu marcha à ré A cabra se entusiasmou Deram no pé, deram no pé, deram no pé
E agora 'cabou-se a história Contem pra quem quiser O bode beijou a cabra Sarou a dor no pé Sarou a dor no pé Sarou a dor no pé Sarou a dor no pé
amanhã,dia 11 de outubro,participarei do I festival de bossa nova,que acontece no bairro de aoyama,aqui em tokyo.
o evento tem uma programação bem bacanuda,com músicos japoneses e brasileiros residentes...todos envolvidos com esse estilo musical.
eu toco com o contrabaxista ricardo sagioratto(vulgo azeitona) e o kuroda-san(cotado como o único baterista brasileiro,no japão...rs).
nossa apresentação será no hall do prédio da gravadora japonesa avex(cujo chairman é o famoso produtor komuro tetsuya-san),com início previsto para às 13h00...outros palcos,espalhados pela avenida principal de aoyama,abrigam os demais grupos e artistas.
vale lembrar que quando aportei no japão,em 1990,o bairro sofisticado de aoyama foi minha primeira morada. ali,toquei durante seis meses no restaurante brasileiro, praça onze...na época o praça junto com o saci pererê(primeira casa brasileira em tokyo) eram as únicas opções...havia também o samba páteo,em roppongi,mas o show ali era com mulatas trazidas do brasil e danças folclóricas.
a apresentação com o trio,amanhã,marca também minha última performance com o azeitona...ele está de partida pro brasil, após sobreviver,quase duas décadas por aqui,como o 'gaijin solitário de chigasaki'(cidade onde mora,na província de kanagawa).
de lá,com o término marcado para ás 16h00,partimos pro midtown roppongi,onde a gig é uma espécie de despedida do amigo de tantos projetos musicais(estórias infantis pra tevê estatal nhk/o sexteto extra acoustic/ e mais,recentemente,o cd com canções inéditas em parceria com o Castelo,bossa'n humor)...e longos papos,nas madrugadas toquianas,regados com cerveja(ele),café(eu),estórias e muito bom humor.
do bota fora,caio fora à jato,pro meu cantinho e ganha-pão rotineiro,em shibuya,bairro vizinho.
dia 12,repito a dose,só que em apresentação solo (violão e voz).
registro meu agradecimento ao marco mancini,graphic designer,ex-diretor de arte do jornal brasileiro tudo bem(eu escrevia uma coluna semanal - a picada domosquito)e revista made in japan,além de ter editado uma publicação especializada em jazz (sua paixão) jazzy'n. mancini agrega o grupo responsável pelo evento.
Apaixonado por rádio, assim como este Sarrumor, publica o blog e o podcastPeças Raras, resgatando momentos marcantes do rádio e informando sobre programas e eventos.
Hoje, por exemplo, no blog, o destaque é o programa Rádio Matraca, de aniversário de seis meses – gravado no teatro Lira Paulistana, em setembro de 1985, com platéia e apresentações ao vivo de artistas como Tom Zé, Paulo Barnabé, Ulisses Rocha e a banda Inocentes – e que será reapresentado no próximo sábado, comemorando o aniversário de de 31 anos da Rádio USP.
É desse programa a antológica interpretação de Tetê Espíndola para a música Rosa, de Pixinguinha, acompanhada pelo Duo Fel, que pode ser ouvida no boletim sobre aRádio Matraca,no podcast Peças Raras.
o chef sérvio Ljubomir Erovicacaba de lançar um livro de receitas com pratos preparados apenas com o ingrediente pouco usual: o órgão reprodutivo de bois, cavalos, búfalos, touros, porcos e até mesmo perus. Batizado de "The Testicle Cookbook: Cooking with Balls" (em uma tradução livre, algo como "O livro de receita dos testículos: cozinhando com colhões"), o livro reúne receitas coletadas por Erovic nos últimos 20 anos.
Pela primeira vez o chef vai ficar feliz de saber que o degustante está de "saco cheio" da comida!
Vindo de uma dor particular – minha querida sogrinha faleceu na segunda; ontem foi o sepultamento,com toda aquela comoção, típica dessas ocasiões – chego em casa e me deparo com outra dor, mais geral.
Dezenas de mensagens, comentando e lamentando a perda do grande músico (sem trocadilho) Gigante Brazil.
De Ricardo Petráglia a Zé Rodrix, passando por Egídio Conde, Ricardo Corte Real e até Antonio Checchin, o “Leivinha”, promotor dos lendários festivais de Iacanga, muitos foram os que se manifestaram, numa ciranda de emails.
De todos, escolhi reproduzir o texto do músico e jornalista Luiz Chagas, companheiro de Gigante na banda Isca, de Itamar Assumpção, publicado no site o lado B da notícia.
Ele não era gigante porque era grande
O cara não era Gigante porque era grande. Era gigante. Mesmo
Em 1983, quando substituiu Osmar Santos no programa Balancê transmitido pela Rádio Globo, Fausto Silva vivia convidando a banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção, para divulgar seus shows. Tanto o apresentador quanto o lendário sonoplasta Johnny Black eram apaixonados pelo baterista Gigante e seus solos de "buchesom" - que criava batendo a ponta dos dedos nas bochechas e usando a boca para modular os sons (foto abaixo). Faustão criou um bordão,"o Gigante não tem esse nome porque é grande. Mas porque é gigante".
Jorge Luiz de Souza, o Gigante Brazil, é carioca da Mangueira, onde nasceu no dia 25 de abril de 1952. Ele jura que viu o "Mineirinho", o bandido que virou uma espécie de Robin Hood, seqüestrar caminhão de leite e distribuir para a molecada na favela. Chegou em São Paulo acompanhando Jorge Mautner e logo estava tocando percussão na banda Sindicato. Mesmo ao lado do baterista Edu Rocha, do contrabaixista Zé Português, do guitarrista Tadeu Passarelli e de outras feras, era impossível desviar os olhos daquele cara. Ele tocava com o corpo, os braços pareciam asas, cantava num grave que parecia vir de outra dimensão, entrava em transe e arrastava o palco e o público junto. No dia em que entrou na banda Isca eu falei "cara, eu sou seu fã" e ele com os dentões separados lascou "pára com isso, tio" - para ele os homens eram tios ou compadres, as mulheres comadres ou princesas. Eu e a torcida do Flamengo (ainda é a maior?) somos fãs. Quando entrei no camarim da Marisa Monte no ano passado alguém falou que eu tinha tocado com o Giga e ela - ai meu Deus, Ela! - largou todo mundo e veio me abraçar. "Ensaboa, mulata ensaboa" os dois cantaram juntos um dia.
Na segunda-feira, o dia em que o Giga não acordou, na porta do ateliê da Renata, sua mulher, o povinho da Vila Madalena se detinha embasbacado. Amoladores de faca, barbeiros, tomadores de conta de carro, gente que fica na rua. "O Gigante morreu?" O cara andava pelo bairro e todo mundo o conhecia. Todos os músicos que apareceram ali ou no velório, mesmo sem se conhecer, entoavam um monótono "eu toquei com o Gigante, e não tem igual". Os instrumentistas que dividiam com ele a "missa" das terças em Moema, apelido para a apresentação com várias entradas e que ia até de manhã, discutiam quem seria seu substituto - porque a "missa" tem que ter. Chegaram à conclusão que podia ser "qualquer um, já que ninguém, mas ninguém mesmo, toca igual". De fato. Seja em qual for a formação que participou, Gang 90, os derradeiros shows com Celso Sim, as Orquídeas, Ceumar, Alzira Espíndola, Bocato, a "norinha" Simone Sou, o parceiro Paulo Lepetit, com quem criou seu único (melhor?) trabalho solo Música Branca Preta e e etc. (Elo Music), o que se ouve é um mantra: "Não tem igual, tocar com ele é um luxo".
Uma de suas características era tirar som de qualquer coisa. Copos de metal, baldes, batentes de porta que levava para o palco. Como dizia Lepetit quando lhe pediam o mapa de palco, "qual o kit de bateria do Gigante? Ah, o que tiver".
O cara não era Gigante porque era grande. Era gigante. Mesmo. Gigante Brazil.
Luiz Chagas, 56 anos, tocou durante 27 com Gigante e não tem nenhuma reclamação. Só alegria.