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Happy Day

Neste crepúsculo dominical, na ressaca do show de ontem – que, aliás, foi ótimo, está aí a Carminha, que não me deixa mentir sozinho – ainda dá tempo de registrar e festejar o aniversário do cara que, ultimamente, tem feito mais pelo Língua de Trapo cifras, divulgação, resgate e postagem de relíquias, composições novas – do que nós próprios,

(des)integrantes do grupo.

 

 

 

Parabéns, Luís Couto, o oitavo Língua!


Escrito por Laert Sarrumor às 17h51
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Bomba! Bomba!

 

No dia 21 de agosto fez 19 anos que o roqueiro baiano Raul “Rock” Seixas foi “pro andar de cima”.

 

Em agosto faz também 21 anos que este Sarrumor, em companhia de Ayrton Mugnaini Jr., foi à casa do Maluco Beleza, pela segunda vez, para entrevistá-lo.

 

Na ocasião, para nossa grande surpresa, ele admitiu, com todas as letras, que a música Rock das Aranhas, que ele compôs em 1980, em parceria com Cláudio Roberto, é um plágio de Killer Diller, gravada em 1960 por seu autor, o norte-americano Jim Breedlove!!!

 

Ouça aqui a incrível confissão de Raul, na Seção Coincidência, da Rádio Matraca.

 



Escrito por Laert Sarrumor às 18h17
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A tristeza do humorista



O Humorista acordou aquela manhã com o rádio-relógio soando às 7h45. Era o programa jornalístico da manhã.

O âncora contava uma piada sobre um negro e um judeu. A tradicional claque de risadas veio logo em seguida.

Saiu do quarto e foi até a geladeira. Abriu a porta para pegar o vidro de água. Não sem antes olhar para o quadrinho do Garfield que a mulher pregara ali.

Após as abluções matinais de praxe, catou displicentemente o jornal que estava ao lado da caneca de café com leite ilustrada com carinhas de Groucho Marx de charuto na boca. A primeira página mencionava uma série de chamadas sobre textos de humor.

Um físico escrevia sobre a função do riso. Um poeta descrevia, de modo sarcástico, sua viagem à EuroDisney com os filhos. Uma militante feminista listava suas piadas favoritas sobre o homens chauvinistas.

Procurou a seção “Veículos” para tomar contato com assunto diverso.O anúncio de um carro coreano trazia um título com um trocadilho infame. Mais adiante, uma página dupla vendia um SUV com uma celebridade mostrando a língua para a câmera. Mais abaixo na página, o slogan: “nem Einstein faria um 4X4 melhor”.

Fechou o jornal, tomou um grande gole da caneca e levantou-se.

Do quarto, vinha o som metálico do rádio-relógio. Às 8h20 começava a sessão de entrevistas. O convidado de hoje era um dos palhaços do Cirque du Soleil.

O Humorista foi até o computador. Era dia de entregar o texto do stand-up para o produtor e não tinha achado um fecho interessante até agora.

O tema da micro-peça lhe parecia frouxo: “Odeio pessoas que odeiam”.
Meia hora discorrendo sobre aquilo terminaria ficando tremendamente falso. Pior: chatíssimo.

De mais a mais, existiam no Orkut milhares de comunidades que diziam odiar algo com o objetivo de ser engraçadinho.

Só que o produtor agora estavando querendo dar uma de humorista, se metendo em seu texto, era preciso redobrar a atenção, senão perdia o trabalho.

Foi pegar mais café na pia e olhou pela janela. No cruzamento da rua de seu prédio uma empresa de promoções distribuia folhetos no semáforo, os promotores todos trajados formalmente de palhaços. Pulavam, dançavam, faziam caretinhas com as bochechas pintadas para os motoristas entediados.

Resolveu colocar o texto do stand-up num pen-drive e ir até o escritório do produtor escrever.

Era mais prático, já que o sujeito metia tanto a mão nas idéias.

De mais a mais, se ele quisesse criar as situações e as falas que criasse. Ganharia o cachê de um jeito menos indolor.

Desceu o elevador com o adolescente espinhudo do 62. Na camiseta dele havia estampado um cartum de Allan Sieber.

Na portaria, o zelador do prédio saudou o Humorista com uma piada, como fazia todo dia ao vê-lo.

- O cara foi levar os exames no médico. O doutor leu os resultados. Aí falou: “tenho uma notícia boa e uma ruim, qual conto primeiro? O cara pediu pra ele contar a boa. “Você tem 24 horas de vida”, ele disse. “Mas e a ruim, porra?”, perguntou o homem, apavorado. O médico daí falou: “tentei avisar ontem, mas não te encontrei”.

Riram alto, o eco no corredor úmido de prédio reverberou. O servente que lustrava a porta do elevador, emendou mais duas de péssimo gosto sobre o comportamento sexual dos gaúchos.

- Vinha um gaúcho atrás do outro. Corriam atrás de um boi brabo no pampa. Aí o da frente caiu com as fuças no chão, bem dentro de uma vala. Fodeu-se todo. O que vinha atrás, com aquele sotaque forte da fronteira, ficou preocupado com o tombo do parceiro e disse assim: “dô-eu, tchê?” Aí o que tinha caído falou pra ele: “dô-eu, que já tô no chão mesmo”.

Mais risadaria, mais eco no corredor. Depois, cumprimentando os dois, o Humorista saiu porta afora para uma caminhada até o escritório.

Estava um dia consideravelmente frio para um verão pleno e escancarado, mas era comum em sua cidade temperaturas inusuais em estações do ano onde não deveria acontecer aquilo. Até parecia que o meio-ambiente estava fazendo piada com as pessoas. “Olha só, gente: um calor de 37 graus no inverno, um frio de 3 graus na primavera…hahahaha”.

Como saíra desprevenido de casa, sem uma jaquetinha sequer, resolveu dar uns passos atrás, ir até a garagem e buscar o carro.

Ao dar partida, reparou que o automóvel lhe pregara uma peça. Estava com o tanque quase vazio. Teve de parar no primeiro posto, apesar do preço do combustível ali ser uma verdadeira palhaçada de tão caro, e abastecer num valor quase 20% acima do que costumava pagar.

Quando entregou a chave à frentista dizendo o mantra: “pode encher com álcool”, ouviu dela:

- Tem certeza?

Ficou por alguns segundos confuso. Nunca haviam lhe dito aquilo em tantos e tantos anos parando em postos e solicitando reabastecimento.

- Como assim, tenho certeza? Claro que eu tenho…

A garota frentista respondeu, ironicamente:

- Olha, isso que o senhor me pediu e direção não combinam…Lei seca…cadeia… E me pede pra encher com álcool? Quem avisa, amiga é…

Escancarou a boca cheia de pontes numa risada histérica, ao mesmo tempo que levava a chave até o tanque.

Na FM do carro começava a crônica política do dia. O jornalista resolveu resumir seu pensamento - ao contrário de um texto tradicional, como fazia todas as manhãs – em aforismos de humor. Do gênero “quem tem (nome de um partido politico) tem medo”. As pequenas frases em si nem eram lá muito risíveis, mas o jornalista, logo depois que lia uma delas, caia numa arrastado e histriônico sorriso.

Ao sair do posto, o Humorista trocou de estação. Sintonizou numa rádio que transmitia uma pegadinha em forma de trote telefônico. Uma pobre mulher recebia o inesperado telefonema de uma pessoa que perguntava se sua casa era de tolerância.

Em sua funda ignorância, a senhora repetia diversas vezes que a sua casa era normal, que vivia ali uma família comum, que não havia nada de intolerância lá.

Como ele, milhares de pessoas com toda certeza estavam ouvindo aquilo e rindo em seus carros.

De fato, era impossível deixar de se ligar na interminável pegadinha.

Foi escutando a toada até o escritório. Passou pelo guarda-malabarista no centro da cidade, pelos meninos e meninas vestidos de Carlitos no semáforo da avenida principal, pelo mendigo-clown da entrada da Marginal.

Depois de mais de 20 minutos de trote infame, o marido pegou o telefone e disparou meia-dúzia de palavrões em cima do locutor.

Uma claque de risos entrou ruidosamente, o casal da casa de tolerância ganhou um curso de técnicas circenses do patrocinador do programa e tudo acabou bem.

No escritório vazio, o Humorista sentou-se diante do computador.

Aproveitou a ausência do produtor para remoer idéias antigas, vasculhar trechos inóspitos de sua imaginação feérica.

Nada de relevante vinha. Nenhuma bom set-up, nenhum final surpreendente, sequer uma situação hiperbolicamente bem elaborada.

Apelou para idéias non-sense, surreais, relembrou frases lapidares de outros colegas do passado.

Por fim, tentou pensar no país, nos políticos, na Economia, nos programas de tevê.

Tudo em volta era mais engraçado do que ele.

Num desespero silencioso , baixou os olhos e chorou.






Escrito por C. Castelo às 17h56
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Testemunhais

Certos testemunhais de sites de relaciomento me fascinam mais que um bloco inteiro de perguntas de Luciana Gimenez a um travesti recém-operado de fimose. A leitura deles começou a ser de tal maneira obssessiva pra mim que passei a imaginar testemunhais ideais. Como estes aqui:

“Totonho, saiba Totonho, que um Totonho só pode ser um Totonho se não tivesse existido nenhum outro Totonho. Totonho é um só na superfície da Terra. Ai, Totonho, eu não canso de repetir: Totonho, Totonho, Totonho, eu te amo, Totonho. E se, nessa vida, não existisse Totonho, um Totonho eu inventaria, viu, Rogério César?”

“Cara sensível o Alaor. Escritor, poeta, delegado-responsável pelo setor de Disciplina e Ordem dos presídios de Espírito Santo, trata-se de um amigo pra todas as horas. Mas o que mais chama atenção no Alaor é o pioneirismo. Quando servimos no Segundo Pelotão de Infantaria Motorizada, ele deu o primeiro curso de manicure na selva já ministrado na Amazônia. Durante o dia a tropa desarmava minas, fazia exercício de tiro e, à noitinha, aprendia com ele a tirar cutícula, passar base e escolher o melhor tom de esmalte para as unhas dos recrutas. Bons tempos aqueles de caserna. Alaor, você não existe! Muita gente acha isso ótimo, eu sei, mas eu te adoro”.

“Maria de Lourdes: eu guardei dentro de mim, todos esses anos, algo muito importante pra escrever bem aqui. É um espacinho pequeno pra dizer algo que - quase durante duas décadas de ansiedade, sofrimento, medo - eu trouxe calado em mim. Maria de Lourdes, eu mal consigo teclar o computador. Meu corpo treme, minh’alma está arrebatada, não há um pêlo de meu corpo que não esteja, neste momento singular, completamente eriçado, tamanho desejo de dizer a você, minha querida, que (EXCESSO DE CARACTERES, FAVOR REDIGITAR E DAR “ENTER”)".

“O Tóti é o melhor professor da facul. Nunca vou esquecer o dia em que ele comparou Deus a um omelete de gorgonzola na aula de Metafísica II. Ou da aula em que transformou o “Montanha Mágica”, do Thomas Mann, numa equação matemática e resolveu o conflito final do livro elevando o personagem-central ao quadrado. Irado!".

“Dora…você pra mim…olha…meu Deus é tão difícil te definir. Sei lá…às vezes me vem uma idéia…uma pálida noção…do que seria…a pessoa…Dora. Talvez…o que eu…pudesse…assim…dizer de você. Ah, seja o que Deus…quiser…
Vou dizer…o que…acho numa frase…e pronto. Lá vai: Dora…você…é…a pessoa mais…reticente…do mundo…”.

“Amaury: quer saber? Vai se foder que eu não sou veado”.

Escrito por C. Castelo às 19h22
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Inferência dominical pós-olímpica

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar serviço e ganhar medalha de ouro em Londres 2012.

Escrito por C. Castelo às 19h40
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A um leitor de Havana

Tenho um leitor em Havana.

Não é bem o nome dele, mas vou chamá-lo de Alberto.
Apesar de ficar patente que Alberto confia nos rumos revolucionários, vai saber o que o pessoal do Raúl pode fazer a ele, não é mesmo?

Alberto me mandou este e-mail:


"Começo do modo básico: gosto muito das suas crônicas, boas demais.
Acho que você desliza no seu humor político, não sei é porque você sempre critica a galera que eu gosto...

Talvez, você não saiba, mas, foi Cuba quem adotou mais de 1000 brasileiros pobres e alguns da classe média que estudam na Ilha: Teatro, Balé, Cinema e TV, Educação Física e Medicina.
Eu estou aqui há cinco anos e meio e nunca poderia estudar Medicina no Brasil porque, meu chapa, meu pai era motorista de busão e alcoólatra e minha mãe é dona de casa e você já sabe: desde os 14 anos trampando, estudei e passei no vestibular de Filosofia da UFMG e depois recebi o convite para ir para Cuba.


Quer ver Cuba sem os óculos escuros do nosso consumismo burguês brasileiro? 

Troque uma idéia com o Mylton Severiano (da Caros Amigos) ou busque a série de reportagens que ele fez sobre Cuba.


Não se ofenda, sei que este comentário acima não cabe numa página humorística e que é impossível fazer humor sem às vezes ofender alguém. Porém, se você deixa este canal aberto para diálogo, eu o utilizo para reclamar contra esta pequena injustiça contra Cuba. Da Veja, Folha e Estadão: beleza, eu até suporto porque sei quem são eles, agora, eu te considero Humorista com “h” maiúsculo, e estes sempre estiveram ao lado dos oprimidos mesmo quando gozam a cara deles.


Obs: considero sua crônica "Gente tossindo, gente espirrando", uma obra prima.
Abraços e obrigado se você teve paciência para ler tudo”.

Mui carinhosa a sua crítica, Alberto.
Já fui chamado de tantas barbaridades que a sua pequena discordância é um colírio para as minhas retinas cansadas.
Certa vez, uma senhora chegou a me chamar numa carta de Mainardi de barba.
Ai, amarga injustiça, pois nunca me arvorei a ser um polemizador-de-revista-veja e nem barba tenho, só umas penugenzinhas pelo rosto.
Mas vamos ao que interessa: cite, ao menos, dois humoristas atuantes aí da Ilha. Mas dois que tenham (tinham?) cojones pra adotar o lema: “hay gobierno, soy contra”.
(Não vale Fidel como humorista, afinal todos sabemos que Ele era chamado em Cuba, à boca pequena, de El Comediante).
É difícil lembrar de um, sejamos francos, Alberto.
Talvez pelo fato de Cuba não adotar humoristas como faz com estes mil brasileiros que, como você, se ilustram nas universidades havanesas.
Tudo bem, vocês não estão pra brincadeira, vivem nas barbas do Inimigo. Eu reconheço isso, Alberto. E também nunca paguei pau para Bush e sua Neo Roma sangüinolenta.
Mas quem seria mais solidário ao oprimidos? Quem ri com eles, e por eles, ou quem nem os permite rir?



Escrito por C. Castelo às 17h46
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Gente tossindo, gente espirrando

Foram 25 longos anos de poluição nos níveis máximos. Nuvens plúmbeas faziam negras revoadas pelo planeta semimorto.
As ruas pareciam o palco de um show do U2 - só fumaça. Os rios tinham mais espuma que um copo de Malzebier quente. A impressão que se tinha, ao andar numa calçada, era de se estar numa sauna finlandesa em que, por distração, fora colocado no vaporizador excremento, em lugar de essência de eucalipto.

No principio as pessoas não se adaptaram ao efeito estufa. Para ser mais estatístico, morreu 95% da população mundial. E os 5% que restou teve de resolver alguns problemas, além de pagar o condomínio e achar uma vaga na Zona Azul. O primeiro deles, depois de sobreviver, foi evitar respirar. E creiam, isso não foi fácil. Porém, a própria seleção natural - e também os escafandros, adquiridos pelo pessoal da Ilha de Caras - incumbiu-se de eliminar os 4,9% dos incompetentes que não conseguiam deixar de arfar. O 0,1% de população mundial que não sucumbiu se reuniu para formar um novo país.

Depois de muita reflexão, decidiu-se que utilizariam, como forma de comunicação, a única coisa que havia em comum entre eles: a tosse. Uma tossidinha passou a significar "sim", duas tossidinhas "não". Foi o que primeiro se convencionou.

Depois veio - três tossidinhas para "sexo", e quatro tossidinhas para "não, hoje estou com dor de cabeça". Cinco e seis tossidinhas passaram a querer dizer, respectivamente "pra que time você torce?" e "isto é um assalto!".

Com o passar do tempo, o organismo dos sobreviventes virou dependente de poluição, e isso levou a uma sofisticação da nova língua baseada no defluxo. O conjunto de 38 tossidas semifusas somado a uma sutil fungada podia ter diversos significados. Frases mais complexas - do tipo " você está irritantemente behaviorista hoje, querido" - ou mesmo livros de Jacques Lacan podiam ser vertidos para o idioma da tosse. Porém, como sempre, havia aquele grupo espírito-de-porco que acreditava que os espirros representavam melhor a " fala " humana àquela época.

" A tosse é um engodo, é uma imposição autocrática. O espirro, este sim, representa nosso momento sócio-cultural-poluente".

Logo depois, fundariam um partido de oposição.

Era inegável que, apesar de ainda rudimentar como forma de comunicação, a tosse fazia o grupamento progredir. Imaginem que a primeira coisa que fizeram foi eleger uma Assembléia Nacional Constituinte! Pena que a segunda coisa que fizeram foi um golpe militar.

Dizem que a intervenção aconteceu porque a Carta Magna aprovou uma lei que criava um país independente para os que adotassem o espirro como idioma. O novo regime, todavia, não conseguiu evitar que a facção espirro ocupasse uma área resoluta ao lado do País da Tosse - fundando ali a República Provisória do Espirro - e passasse a promover diversos atos terroristas contra seus primos-irmãos.

O País da Tosse, apesar de viver sob estado de sítio, procurava se desenvolver. No campo científico, chegaram a inventar motores mais poluentes que o do jipe Toyota diesel. Eles garantiam à população os índices da bronquite asmática vitais à sobrevivência. No campo cultural, produziram um clássico da poesia épica, "Os Tossíadas", que em dez cantos narrava a saga da construção do País da Tosse. No esporte, em modalidades de aviação esportiva como as esquadrilhas da fumaça, eram imbatíveis. O pouco que se sabia da República Provisória do Espirro era que a junta de governo investia maciçamente em agricultura. Toda a população participava no processo de plantação, colheita e beneficiamento do principal produto agrícola do país: o rapé. Se havia uma tecnologia avançada, como no País da Tosse, era um mistério. Aliás, o mistério era a especialidade da República Provisória do Espirro. Tudo lá era muito enrustido.

Anos depois, entretanto, os tossistas puderam perceber que o país vizinho não estava tão atrasado assim.

Era madrugada. Ninguém notou que um avião espirrista penetrara o espaço aéreo do País da Tosse. Esta distração foi fatal para os adeptos do defluxo. Na calada da noite, o avião largou bem em cima de seu evoluído país uma bomba letal, com conteúdo ainda mais mortífero ainda: xarope de agrião. Nesse dia, eles viram o que era bom pra tosse.



Escrito por C. Castelo às 17h45
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No ritmo do esporte

Aqui está um dos “sambas do Carlão”, que tem tudo a ver com os decepcionantes dias olímpicos em que vivemos.



Amor Olímpico


de Carlos Melo (Castelo)/Celso Mojola


voz: Laert Sarrumor


violão: Sergio Gama



Ouça aqui



O nosso amor


É uma competição esportiva


Cada jogada é decisiva


E influi no cômputo geral, nosso amor é anormal


O seu beijo


Vale por uma raquetada


O seu abraço é uma espada


Que esgrima com o meu punhal


Você é louca pra abusar da violência


Só de um juiz eu sinto ausência


Para apitar os seus penais, lá nas jogadas principais


Nesse basquete


Só porque arremesso errado


Vou logo sendo o culpado


Pelo fracasso nas finais, não jogo nunca mais


Vou me queixar


A um membro da Federação


Pedindo a sua expulsão


Dos quadros residenciais


Você é sutil tal qual um halterofilista


Mais sensual que um pugilista


E eu não nasci pra ser atleta, eu não sei dar nem bicicleta


O nosso amor


Só deu score negativo


Nessa olimpíada eu perdi por W.O.


Tirei o time sem ter dó, não tenho espírito esportivo, não


Nessa olimpíada eu perdi por W.O.

Tirei o time sem ter dó, não tenho espírito esportivo, não


Escrito por Laert Sarrumor às 17h22
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Os Reis

Eu quero que o Dunga se f*!!! Eu sou brasileiro, com muito orgulho.

Eu sempre digo que esporte é competição, música é união.

No caso, aqui, a união de dois ídolos meus.



Escrito por Laert Sarrumor às 16h21
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Debate sobre o Lira, como foi

Pituco comentou: “signore,conta como é que foi pra gente,até agora,per favore...namaste”

 

Em resposta, reproduzo aqui email que enviei ontem para o Castelo:

 

Professori, o evento foi mal divulgado, não tinha muita gente. Mas o papo, em si, foi interessante. Mário Manga, como sempre, afiado, com ótimas tiradas. O Gordo, o Skowa e o Turcão, revelaram coisas bem legais, sobre a gênese do Lira, que nem eu sabia. Por exemplo, o Turcão contou que na verdade o Gordo tava com idéia de abrir era uma floricultura. Ao verem espaços para abrir o negócio, se depararam com o porão e o Gordo começou a ter idéias... "a arquibancada aqui, o palco ali...", diz que foi assim que a coisa nasceu. Não sei se é piada, o Gordo não desmentiu.

Foi legal também saber que o Ribamar de Castro, que fazia toda a parte de arte gráfica do Lira, e há anos está radicado na Espanha, está fazendo um documentário - tinha uma equipe filmando o debate - e um livro sobre o Lira, com pegada de primeiro mundo.

Com gripe, eu estava sem voz, quase não consegui falar. Da biblioteca, fui direto com a Márcia, a irmã dela e meu cunhado para o litoral, levando o Arthurzinho. Tô voltando agora. O ar da praia me fez bem, a voz voltou.

 

amplexos vigorosos

 

Ah, sim, maestro boquinha é o cacete! (só pra dar o troco... rsrs)

 

 

Mário Manga, Wilson Souto Jr. (o Gordo), Skowa e Turcão. No centro, Sarrumor, o mediador, contrastando com os demais, pela vasta e escura cabeleira com a qual a natureza lhe agraciou.


Escrito por Laert Sarrumor às 18h50
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Pensamento (olímpico) do dia

Quem joga futebol feito estátua merece bronze.

Escrito por C. Castelo às 14h34
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Ô povinho!

Deu no G1

Carreta com Cielo em SP passará pela Av. Paulista; veja trajeto

E a pergunta: Pra comemorar o quê?



Escrito por Lizoel às 13h18
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Uma certa justiça

Quando olhou o camarim reservado só pra ele, lacrimejou. Uvas, maçãs vermelhíssimas, pães artesanais, queijos diversos, grãos importadas do Líbano, a garrafa de Veuve Cliquot no gelo, água San Pelegrino. Tudo colocado harmoniosamente sobre uma mesa com toalha de renda branca. E flores. Muitas flores.

Depois de 32 anos de anonimato, esnobação dos críticos e completa inexistência na lembrança da mídia gorda, aquilo era a prova de que havia um certa justiça “nesse mundo de meu Deus”.

Numa algaravia, os auxiliares do Canecão perguntavam coisas sobre a tonalidade da mesa de som, sobre o roteiro, os convidados “vip”, as canjas. Mas seus ouvidos não acompanhavam mais nada do que vinha de fora. Só as orelhas de dentro funcionavam agora. As orelhas e os olhos internos.

Lembrava-se com grande clareza de seu longo calvário As temporadas no circuito alternativo da Zona Norte e Leste de São Paulo. Muitas vezes tocando sem cachê algum, apenas para tentar imprimir suas idéias revolucionárias a um grupo pequeno, mas interessado no novo.

Depois o empresário que embolsou a grana de seu primeiro grande show num Sesc da periferia. Com o dinheiro desviado, o mau caráter viabilizou a gravação dos discos de quatro duplas caipiras. E, com o estouro de um desses duos breganejos, montou um selo e uma rádio em Goiânia.

Por outro lado, não havia meio do trabalho dele decolar, parecia uma sina. Quanto mais tentava divulgá-lo, buscar pacientemente espaços, mais era esquecido pelos que controlavam as programações de rádio e tevê.

E o período mais negro ainda estava por vir.

Cansada do fracasso e da deprê generalizada, a companheira de duas déacdas o trocou pelo organista de uma igreja Pentecostal de Belém do Pará. E ainda meteu-lhe uma ação na Justiça de não-pagamento de pensão que o fez perder seu único bem: um Fiat Elba 1982 que herdara do avô.

Teve que se apresentar em saunas gay por cinco anos para conseguir honrar o parcelamento da dívida.

Nos cartazes promocionais de seu pocket-show-homoerótico - na foto, ele aparecia vestido de Cleópatra ao lado de um negro musculoso e nu da cintura para baixo - era aclamado como “Cléo, o menestrel do povo entendido”.

Calamidade maior, nem Paulo Coelho teve durante seu período de sexo, drogas e pacto com o demônio.

Nunca mais pôde ouvir o refrão “I will survive” impunemente.

Entretanto, a partir daquele show glorioso no Rio, tudo se repararia.

O acaso começava a jogar a favor.

Então como explicar o episódio de sua descoberta?

Certa madrugada, com insônia e entediada num quarto de hotel em Londres, Marisa Monte resolveu fuçar no google. Acidentalmente, acabou fazendo download de uma das canções dele. E, em seguida, baixou-a direto para o i-pod.

Dali para a apresentação do "genial músico da vanguarda de São Paulo" à sua turma de músicos foi um passo.

Um assistente avisou que faltavam dois minutos para o início do show. E que estavam na primeira fila Chico Buarque, Carlinhos Brown, Lenine, Maria Rita, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Titãs, Gil, Caetano, a velha Guarda da Portela inteira. E, claro, a sua madrinha Marisa Monte.

Fez uma pequena prece, memorizou o repertório. E uma última imagem veio à sua mente. Ele saindo do teatro da prefeitura de Itaquera, com uma craviola às costas, depois de fazer um show onde não houvera nenhum pagante.

Ouvindo o ruído dos primeiros aplausos da noite, ergueu-se, dirigindo-se altivo à boca do palco.

Nesse instante, o meteoro de 97 quilômetros de largura por 42 de comprimento precipitou-se sobre a Baía de Guanabara.

Passados poucos segundos, uma onda equivalente a 10 mil bombas atômicas levantou-se sobre toda a região sudeste do país e 75% da vida no planeta deixou de existir.



Escrito por C. Castelo às 18h24
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Cada mantra tem o artista que merece...

o mantra é mais efetivo, quando entoado em grupo, em uníssono...

assim, é um mantra (e talvez você não soubesse) o espontâneo e incontrolável pedido da platéia, nos finais das apresentações do LdT...Conchetta,Conchetta,Conchetta!

*vale lembrar que se o mesmo pedido for feito separadamente, por grupos isolados dessa mesma platéia, então descaracteriza-se o mantra.

namaste



Escrito por Pituco às 02h44
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PEQUENA SERESTA QUE VIROU LINCHAMENTO

Essa foi a primeira letra que escrevi. Claro, tentei algumas antes dela, mas a que "parou de pé" foi a "Pequena Seresta". Musicou-a meu amigo Celso Mojola, naquela época dedicado aluno da escola de composição da ECA-USP e hoje emérito maestro. Tivemos uma rápida, porém importante parceria. Mojola, músico cultíssimo, cultivava admiração pelas vanguardas e me ensinou a ouvir Benjamin Britten e Kurt Weil - num tempo onde Blitz e B-52 eram o máximo da contracultura. Também me orientou a ser mais exigente do que eu era na construção das letras, até por elas serem sarcásticas e humor ser sempre visto como arte menor (infelizmente). Tenho uma afeição especial por essa composição. Ela era uma das poucas que eu mesmo cantava no Língua de Trapo. Abria-se uma janela no meio do show e acompanhado pelo grupo eu a interpretava calmamente, depois vinham um ou dois sambas: se não me falha a memória, "Sacerdotisa do Vodu" e "Desquite Litigioso". Era um momento mais "cool" no meio daquele esculhambação toda que promovíamos. Já sei que alguns de vocês vão querer ouvi-la. Mas lamentavelmente não possuo o arquivo. Peçam pro maestro Boquinha postar.


"Eu fui fazer
uma seresta pra Ceição
que mora lá na São João
e então notei
que os decibéis nessa avenida
encobrem meu som de saída
Mas insisti
e, às duas horas da manhã,
o Regional do Jaçanã
descia em frente ao “Bar do Jeca”
(e o barulho ali reinava feito a breca)

Quando eu cantava
um “Chão de Estrelas” esgoelado
vi meu bolso ser roçado
por um ladrão
que aproveitou nossa seresta
e resolveu fazer a festa
levou pandeiro
levou cuíca e violão
e não sobrou pra condução
um só vintém sobrevivente
(faltou tão pouco pra virarmos indigentes)

Desiludido
fui procurar policiamento
que, como sempre,
foi-nos pedindo documento
apresentamos
carteira da ordem musical
fomos levados
num camburão pra Seccional
um trombadinha
anda de carteira assinada
mas músico de madrugada
padece mais do que ladrão
(ai quem me dera nessa hora ter patrão!)

Lá no Distrito
entre uns abraços, cafezinhos
tantas provas de carinho
nós confessamos
ser ladrões de botequim
estupradores, tudo enfim
E, em meia hora,
as manchetes policias
davam em letras garrafais
a nossa confissão forjada:
“UM REGIONAL ASSALTA BAR E A BALCONISTA É DEFLORADA”

O réu primário
que tem bom comportamento
sai da jaula em pouco tempo
e mesmo antes
que a confusão fosse esquecida
a nossa pena foi cumprida
longe das grades
o que vale é comemorar
lá na São João, no mesmo bar,
fazendo as pazes com o passado
(é o pensamento de quem foi anistiado)

Mas a memória
da cidade entornou fosfato
guardou pra sempre
com preconceito o nosso ato
pois ao entrarmos
descontraídos no boteco
o povo todo
foi nos descendo peteleco
essa história
de seresta e encantamento
foi se acabar num linchamento
noutra manchete de emoção:
“CENA DE SANGUE NUM BAR DA AVENIDA SÃO JOÃO”


Escrito por C. Castelo às 16h21
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