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Vendaval dos Vendavais

Olhando assim pode até parecer que são machos. Mas na verdade são é bobos mesmo, e talvez estivessem com dor na virilha.

De pé: Ayrton Mugnaini Jr., Sergio Gama, Nahame Casseb, Laert Sarrumor, Mário Campos, João Lucas e Pituco. Agachados: Carlos Melo (Castelo) e Lizoel Costa.

A foto é de 1985 e nos foi enviada gentilmente pelo nosso amigo Valdo Andrade. Foi clicada por Sergio Amaral (com quem Dagomir Alvoso tem muito a aprender) nas arquibancadas do Ginásio do Ibirapuera, onde acontecia o Festival dos Festivais, da Rede Globo.

 

O fotógrafo em questão andava com Astrid Fontenelle, que na época não passava de produtora da VPI, empresa de Solano Ribeiro, diretor deste e de outros festivais.

 

Pra relembrar:

 

LÍNGUA DE TRAPO - OS METALEIROS TAMBÉM AMAM

(de Carlos Melo e Ayrton Mugnaini Jr.)

Classificada entre as 12 finalistas

Assista aqui

 

LULA BARBOSA, TARANCÓN E PLACA LUMINOSA - MIRA IRA

(de Lula Barbosa e Vanderlei de Castro)

Segundo lugar

(Miriam Mirah grávida e o arranjo de Mário Lúcio Marques, do Placa: simplesmente antológico!)

Assista aqui

 

 



Escrito por Laert Sarrumor às 14h56
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Cuidado!!

  

Bergman e Antonionni, dois grandes mestres do cinema estão mortos!!! e o mês de agosto nem começou ainda!!!!

 

                                                                                       


Escrito por Lizoel às 08h39
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Agora sim...

com as devidas alterações e uma pitada de sotaque...

'JADE' (João Bosco)

voz e violão: El Pitucòn

*clique no título e mergulhe na 'retina de uma mar verde já derramante...'

abraçsonoros

namaste



Escrito por Pituco às 04h52
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Ditos Malditos

Hoje no Brasil só existem três assuntos: Pan, Tam e Renan.



Escrito por C. Castelo às 18h41
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Essa é uma tarefa para o JR...

Pergunto:

o volume de água sobre o Planeta é sempre o mesmo?

de onde vem a água pra a humanidade que cresce, beber?

enquanto aguardo respostas,compartilho um trecho dos 'tempos idos de conviver'...

'PLANETA ÁGUA' (Guilherme Arantes)

abraçsonoros

namaste



Escrito por Pituco às 23h42
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Laert, o BDL sente tua falta!

Eu já estava estranhando a longa ausência de Laert Sarrumor deste BDL, e eis que Joca Tuiuiú, fotógrafo Free-Lancer do Nioaque Times Flagrou nosso querido Maestro Boquinha com certa dificuldade em países asiáticos, tentando voltar das férias que se tornaram um pesadelo para ele este ano, em virtude do aquecimento global.



Escrito por Lizoel às 08h50
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Ditos malditos

Congonhas. Um Campo de Marte melhorado que virou um Campo de Morte avacalhado.

Escrito por Castelo às 12h50
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Ideário Bicho-Grilo

 

Eram os anos setenta. Minha ingenuidade política ainda dormitava nos arredores das evidências. Corria 72, era Médici, e o medo nas entranhas... Um outro país amordaçado já se escondia do furor reacionário que assolava uma nação perdida nos escombros da explosão de 68.

Hoje me pergunto: Como sentir saudade dos anos setenta? Mas ficou. Calças Boca-de-sino, primeiros cigarros e o rock era privilégio de guetos de iniciados. Um pouco antes, e logo de cara os Beatles chutam o balde e fecham a tampa. Dão um basta e já partem, com Lennon trancando a porta e dizendo “O sonho acabou”.

Para eles. O meu estava só começando. Adolescência e seu furor, rock pesado, Baianos pós-tropicália, Dunas da Gal... Eram os anos setenta que me arrancavam do marasmo de cidadão classe-média e improdutivo. Hoje os vejo como uma pausa do tempo em minhas mãos, preenchida pela contagem de todas as horas de minha vida. Eu, sonhador, ignorante de utopias, que queria mudar o mundo e achava, por conta dos ecos da era hippie, que o amor venceria a força bruta.

Assim caminhávamos pela rua em grupos, quixotes de nossa insignificância, onde o único escudo protetor era o sonho. Óculos de aros redondos, jaquetas do exército, a velha calça azul e desbotada. “I can’t get no, satisfaction”. Assim íamos tentando construir nossa primavera, mas sem saber ao certo o futuro das estações de nossa esperança.

Anos setenta. Agora sei muito mais do que não deveria ter feito, mas sem arrependimentos.Um país paralelo fervilhava, nas Dunas do Barato e eu a acompanhá-lo nos textos de Luiz Carlos Maciel na Rolling Stone Nacional e do Bondinho, sonhando uma nova consciência que já brotava do universo dos meus medos.

Apesar do medo, as descobertas eram infinitas. Começava nas bancas de jornais, um porto de apurar o viés político através de “O movimento”, buscando formas de voar. Como fundo, uma música feroz rugindo pelo som ainda incipiente de nossas guitarras, habitando nossos olhos postos e os sentidos de não haverem distância, apesar do pouco que conseguíamos avançar.

Eram anos setenta. Meu país querido não vencia os passos da mudança. Os ventos, dispersos na alma do tempo, traziam as novas das terras longínquas. Segredavam-se em noites e dias a todos os homens, em outros mares e em todos os portos, num destino comum.

Caia na estrada e perigas ver... O perigo estava mais perto de meus olhos do que imaginei naqueles anos de chumbo, e eu atravessando os dias, nas folhas desconhecidas de Hesse e Castañeda, confortando-me com o amor ideal nas horas do desejo, com o mesmo requinte que bebia o vinho do desconhecido, não apenas para matar a sede, a fome ou a falta de horizontes. Queria forjar minha coragem no segredo de me ver atravessando horizontes e tal qual um louco montado no Rocinante de um Quixote preguiçoso a atravessar as barreiras do medo. De longe, fora do tempo convencional, tremularia minha bandeira ao sabor de outros ventos.

Foi-se há muito os anos setenta. Mas eles continuam ainda como fantasmas de esperança em meus sentidos de homem. Os amigos queridos, perdidos em outras paradas devem pensar também como eu. Homens feitos, com filhos, netos e uma década inteira guardada como um tesouro num cofre situado no velho coração sonhador de cada um de nós, à espera inútil de ser aberto um dia.

Vivo a sede de não morrer por qualquer ironia do destino e vou desfiando essa rota de barbantes como em um filme, na cena onde busco torres imaginárias a serem desbravadas, sabendo que a qualquer momento um diretor autoritário vai gritar: “Corta!”.

A la Buñuel, atravessarei a tela, darei um sorriso ao vivo, no apagar dos refletores do set e tentarei mais uma vez, agarrar o futuro como luz de laser, numa velocidade onde o sonho cria lodo a cada manhã vencida e as palavras que mal nascem já apodrecem em limo do passado.

Novo século, nas rebarbas das revoluções que se foram, tento carregar a saga de uma geração que ainda acredita em erguer a taça a todas as lembranças... Sad Song... Como um Lou Reed chapado varando dias e sonhando o avesso da miséria, meu ideário bicho grilo nunca foi fechado. Ainda que as teias do tempo não me fizessem mais consultá-lo, ele continua guardado em algum poço oculto de meus medos.

Vivi o sonho que Lennon enterrou aos meus olhos estupefatos, quando ainda tentava entender a história de um país perdido nas marés e vazantes de gente amordaçada. Minha ingênua tolerância delimitava as cores do futuro e continuei cavando trincheiras, a despeito de questões menores, e ao despropósito das histórias mal escritas.

 

(A título de informação, este, e o texto anterior publicado neste BDL, são capítulos de um livro que estou escrevendo, o "Memórias de uma geração desclassificada".)



Escrito por Lizoel às 23h27
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O barão punk

"O Barão de Itararé foi provavelmente o primeiro fanzineiro do Brasil. Pelo menos no espírito. Do it yourself. Muito do que o cara escreveu ou bolou foi copiado depois, por "ilustres autores". Mas ele veio primeiro e ninguém tasca. Quem se interessar pelo cara pode ir a alguma biblioteca (hábito saudável) que certamente vai achar obras dele. E também ler a biografia do cara, que é incrível. Uma figura devidamente esquecida pelos livros de História e Academia Brasileira de Letras. Nem nome de rua o cara virou. Isso é que é ser punk".


A juvenil opinião acima pode ser encontrada no site "de ataque" Falência Fraudulenta. O link "Barão de Itararé" encontra-se ao lado de outros temas e artistas radicais como Robert Williams (celebrado pintor da contracultura norte-americana), "Tank Abbot"(pugilista de luta livre performático), GG Allin ( esquizo-cantante, comedor de fezes no palco) e até bem próximo à uma seção com o singelo título de"Humor Escroto".

"Nem nome de rua o cara virou" (sic), reitera o anônimo MAB, resenhador da página da web.

Tal fato comprova que, mesmo depois de trinta anos de sua morte, as novíssimas gerações insistem em manter o velho A por L (Apporelly, como também se assinava) na condição de eterno sex pistol tupiniquim.

O pioneiro do hardcore piadístico no Bananão, considerado (merecidamente) o maior humorista brasileiro da metade do século XX, teve um histórico de vida mais surreal que muitos dos seus ditos venenosos.

A mãe e duas das quatro esposas se suicidaram. Mas o Barão perdia a família, nunca a piada. Tascou logo a pérola: "Casamento. Tragédia em dois atos, um civil e outro religioso".

Quando menino, criado pelo tio, estuda em colégio jesuíta de São Leopoldo, Rio Grande do Sul. E lança ainda nos bancos escolares o jornal clandestino Capim Seco. Ali, em plena adolescência (segundo ele, fase na qual o garoto se recusa a acreditar que um dia vai ficar cretino como pai) já começaria a mostrar sua verve. Vai logo comparando o reitor da escola à uma serpente bíblica.

Na faculdade de Medicina, quando um professor lhe apresenta um fêmur e indaga se o zombeteiro aluno conhece aquele osso, responde, apertando-o cerimoniosamente: "Muito prazer em conhecê-lo".

Em 1926 funda seu próprio jornal, o "hebdromedário"A Manha (um trocadilho com A Manhã, nome de um diário carioca polêmico, dirigido por Mário Rodrigues). Nem os donos de funerárias são poupados das estocadas de Aparício Torelly: ele os retrata fazendo pose de palhaço.

Essa irreverência e a filiação ao Partido Comunista, no entanto, lhe custariam muitas prisões durante a era Vargas. Como companheiro de cela de Graciliano Ramos num presídio do Rio de Janeiro, Torelly fica famoso por resumir as notícias apuradas por ambos imitando, em alto e bom som, a transmissão de uma rádio (vide Memórias do Cárcere).

Já em 1934, após ser espancado por oficiais da Marinha, pendura no dia seguinte, na porta de seu escritório, um cartaz com os dizeres: "Entre sem bater".

E a bizarrice não pára.

Quando Getúlio é eleito senador em 1945, o humorista e Gegê têm um rápido encontro nos corredores da Câmara Alta. Ao vê-lo, entre os jornalistas, a velha raposa diz, sorrindo: "Até tu, Barão?" Obtém resposta de bate-pronto: "Tubarão é o senhor, eu sou o Barão de Itararé".

Mas esse é apenas um detalhe de uma faceta pouco conhecida do Barão que venceu uma "batalha que não houve": o seu engajamento político.

Graças à sua imensa popularidade, Torelly resolve se candidatar a vereador pelo Partido Comunista, seção carioca. Seu lema de campanha: "Mais água e mais leite. Mas menos água no leite". Num curtíssimo mandato - foi eleito e cassado em 1947 - defendeu ardorosamente as quatro liberdades fundamentais à vida humana: a de pensamento, a de culto, a de não ter medo da polícia secreta e a de não morrer de fome".

O PCB era a maior bancada da Câmara. E os debates que o Barão mantinha com a bancada conservadora (o compositor Ary Barroso era sua estrela maior) fariam da TV Senado um reality-show de quinta categoria.

Há registros de que não só os magistrados rolavam de rir durante os famosos apartes do Barão. Lavadeiras, trabalhadores e as favelas, de modo geral, suspendiam as novelas para ouvir tais sessões, transmitidas à época pelo rádio.

(Fica aqui um pedido às editoras: lancem urgentemente os anais dessas hilárias discussões políticas. Elas estão à disposição nos arquivos da Câmara dos Vereadores do antigo Distrito Federal).

Torelly, no entanto, não ponteou apenas na política.

Estava longe de ser o Woody Allen, mas possuía uma personalidade multimidiática.

A propaganda, por exemplo, deve a ele momentos de grande humor.

Muitas empresas anunciaram nos Almanhaques, basta olhar algumas páginas desse exemplar para 1949. Na página 55 há o anúncio de um automóvel Ford ("o carro que não faz manha"). E na 233, o do aparelho de rádio Philips, com o próprio Barão de garoto-propaganda, vestido de kilt escocês. Sinta o "copy":

"Já foi dito algures que o Barão de Itararé só aprecia programas de rádio, vestido à caráter. Todos os grandes homens têm dessas pequenas coisas. É um "hobby" artístico, para formar ambiente. Os sambas costuma ouví-los com camisa de malandro, enquanto as "Bacheanas" de Villa-Lobos, escuta-as rodeado de senhoras bacanas. Aqui, vemo-lo, ouvindo, em ondas curtas, mas com saia comprida, a irradiação de um concerto de uma célebre banda escocesa de gaitas. (Itararé acredita que os escoceses estão acompanhando a moda das saias compridas.) Reparem na religiosa atenção com que analisa as frases musicais, deixando a banda de banda, para meditar seriamente sobre as notas e as gaitas".

Como a criação das peças publicitárias era feita pelo próprio juntamente com Guevara, seu ilustrador favorito, Torelly terminou enterrando os idosos reclames da era Bastos Tigre, substituindo-os pelos modernos anúncios influenciados pelas agências gringas que se instalariam no país a partir de 1940.

Foi mais um pioneirismo para a coleção do Barão. Ele terminaria colaborando para o advento das duplas de criação da publicidade contemporânea, compostas de redator e diretor de arte.


Hodierno, pelo dicionário, é atual, dos dias de hoje. Mas as palavras são mais do que o Aurélio costuma mostrar. Hodierno, no caso específico do nosso humor presente, é a mistura de odioso com moderno.
Pois é, o nosso "herói de dois séculos", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado" teria engulhos ao presenciar a cena humorística brasileira do século XXI.

O pai do "O Pasquim", de Stanislaw Ponte Preta e Luis Fernando Verissimo (o filho caçula) talvez renegasse seus netinhos.
Grande parte da galhofa praticada hoje em nossas plagas é uma sombra débil da combatividade baronil. Entramos no pantanoso território do humor do estabelecido, da mão-na-cabeça, da gracinha pela gracinha.
Há inteligência entre os redatores pós-modernos de chistes? Sim, ninguém discute. Há tutano e, além disso, muito dinheiro para produção. Mas falta a consciência de que só um formato esperto não faz o trabalho completo da piada. Ou alguém aí já viu um humorista hodierno, especialmente os da tevê, amaldiçoando um ícone, uma idéia, um fato? Bin Laden não vale.

Foi instituído definitivamente o "humor a favor".

Reeditar Barão do Itararé, mesmo que de forma errática, como eventualmente faz a Edusp/Imprensa Oficial SP/Studioma, será sempre melhor do que assistir ao Festival de Bom Mocismo que Assola o Humor Nacional.

Talvez isso explique porque o estilo Barão de Itararé tenha sofrido uma espécie de falência fraudulenta involuntária - sem nome de rua, nem Academia de Letras. Porém, ainda assim, continue em ótima companhia.

Naquele site amador, anônimo, de direção de arte suja.

Mas que não abençoa ninguém. Nem os coveiros.



Escrito por Castelo às 10h57
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Ditos Malditos - Série Infame

"Apupolaridade" de Lula nunca foi tão alta.

Escrito por Castelo às 10h26
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