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Que tipo de desculpa dar quando não se quer dar uma?

- Eu tive um longo dia de trabalho.
- Hoje à noite não, durmo na penitenciária, esqueceu?
- Estou tão bêbado(a)…
- Não estou bêbado(a) o suficiente.
- Sou gay.
- Sou hetero.
- Sou frígida.
- Sou assexuado(a).
- Foi uma contusão bem aqui, durante um jogo de vôlei.
- Estou deixando o país hoje.
- Aí é tão difícil de estacionar o carro.
- Não consegui um táxi.
- Vou perder o vôo.
- A gente ainda não se conhece o suficiente.
- A gente se conhece demais pra fazer isso.
- Eu tenho que passear com o meu cachorro.
- Acabou a bateria do meu celular.
- Sua secretária eletrônica estava cheia.
- Seu servidor deve ter dado pau.
- Deu virus no meu computador.
- Eu entendi que você só vinha na sexta.
- Esqueci a carteira.

(Do livro "Faça Sexo Agora - pergunte-me como", Carlos Castelo, Matrix Editora)


Escrito por Castelo às 10h54
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Frases paridas pelo orkut

"Detesto comida japonesa.É tão ruim que se serve toda enfeitada".

abraçsonoros
namaste



Escrito por Pituco às 04h00
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Onde tudo acaba...

Nosso leitor JR lembrou que ontem, dia 10 de julho, foi o dia da Pizza e nós não postamos nada em alusão à data. Quero lembrar JR que na verdade, nesse nosso país tropicaliente, cheio de contradições e muita corrupção...

Todo dia é dia de Pizza!!!!!!



Escrito por Lizoel às 08h40
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A Música de São Paulo(Parte IX)

Ficar sem o amigo de tantos anos, minha referência em matéria de publicidade, música e vida, não foi fácil: o que me sustentou foi a beleza de São Paulo, e os outros amigos que venho fazendo nesse tempo todo, sinceros e verdadeiros. Em todo o caso, já que a mudança se apresentara, resolvi encará-la sem medo e me atirei de volta a coisas que não fazia desde quase 20 anos atrás: aceitei a proposta de meus antigos parceiros Sá e Guarabyra e reativamos nosso trio. Nossa reestréia se deu no Rock’in’Rio, mas foi em São Paulo que gravamos nosso CD/DVD, chamado OUTRA VEZ NA ESTRADA, perpetuado para a posteridade no palco do Teatro Mars, como prova cabal de mais um reinício.

Tenho o vício do reinício constante: a qualquer momento em que algo termine, com um estrondo ou um sussurro, eu já ponho o pé no caminho novo que se me apresenta à frente. não sei se é a São Paulo que não pode parar que me faz ser assim, da maneira como está enraizada em meu próprio ser. Mas a cada instante que passa surgem novas opões, e a música de São Paulo, que tem o saudável hábito de fingir-se de morta quando as condiões históricas não lhe são agradáveis, pôs novamente de fora sua bela cabeça, de um jeito inesperado e nada sutil, quando fui convidado a comparecer a um clube de compositores que se reúne em um bar de Perdizes, mais exatamente na Rua Caiubi, 420. 

A partir de uma certa idade, as homenagens são sempre agradáveis, e a gente não consegue perde-las. Pois essa resultou em imenso e inesperado prazer: nesse dia conheci uma nova e criativíssima geraão de compositores completamente livres das velhas leis de mercado, da equivocada arte de massa, de ideologias-como-camisas-de-força, do abandono da Arte como forma de ganhar o próprio sustento. Em um período de duas horas, não mais, ouvi pelo menos 20 músicas fenomenalmente bem feitas, daquelas que cutucam a nossa emoão por dentro e não nos deixam espaço para racionalizar o que elas nos causam. A música de São Paulo, que me parecia morta, estava vivíssima, atuante, dando claros sinais de uso positivo da mudança que a gerara, Passei a freqüenta-los, a me abismar com sua forma de trabalhar, acabando por tornar-me curador de seu movimento, que tem dado bons e deliciosos frutos. Além disso, vejo a cada dia surgirem novos compositores e intérpretes, uma realidade muito parecida com a que eu vivi em meus tempos de pré-profissional, onde a alegria de estar a serviço da arte que se traz no coraão é mais importante que tudo.

Como era de se esperar, a música de São Paulo, aqui do meu ponto de vista, renasce a cada instante, apoiando-se nos ombros dos gigantes que a fizeram para subir cada vez mais em direão as estrelas. Ou melhor: a música de São Paulo é como o Monumento das Bandeiras, de Victor Brecheret, ali em pleno Ibirapuera. O barco há de seguir, e se tem quem o puxe também tem quem o empurre, porque o trabalho conjunto é feito por todos, cada um de seu jeito. O barco tem que seguir sempre em frente, desbravando o futuro, apontando sua proa para o desconhecido que causa menos temor do que desejo. Os remadores que já não estão mais entre nos, e que em meu peito têm as caras de Torquato Neto, Elis Regina, Tico Terpins, seguem conosco, porque só desaparecem aqueles de quem não nos lembramos mais, e esses três, pelos motivos mais óbvios, têm a cara do futuro, que nunca é incerto: incerto é apenas o que ele nos trará, e por isso mesmo fascinante.

Vi o que vi, e só falo do que vi, vivi e experimentei: em meu peito, contudo permanece a grande ansiedade pelo que virá na próxima curva, no próximo dia, no próximo século. A música de cada época comporta imensas variaões, seja por obra da evoluão seja por obra da transformaão, e seria equivoco julgá-la com base no critério que estiver atualmente imperando, pois este é apenas uma fase histórica mais ou menos duradoura, e que inevitavelmente desaparecerá algum dia, como já desapareceram as tantas que a antecederam, deixando o caminho livre para uma outra fase onde haverá outro critério completamente diverso, que nenhum de nós é hoje capaz de pressentir qual será.  E nesse dia certamente surgirá alguém como eu que, com a mesma emoão à flor da pele, diga do que viu e viveu: - Meninos, eu vi!

 

Zé Rodrix,

 



Escrito por Lizoel às 21h21
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A Música de São Paulo(Parte VIII)

7. Os anos de 82 a 98 passaram com rapidez imensa, hoje percebo: quando se está fazendo o que nos agrada e que rende frutos visíveis, a sensaão é a de um carrossel que gira sem parar, levando-nos cada vez mais a um estado de euforia extremamente criativo, cada vez mais vertiginoso, fazendo-nos esquecer da única grande verdade que existe: no Universo vivo, a única coisa permanente é a mudança. Mudamos muita coisa no panorama da música de publicidade: o que antes era um planeta totalmente separado do planeta musical se tornou idêntico a ele, influenciando-se mutuamente, graças ao nosso desejo intenso de usar no mundo comercial as conquistas artísticas de que tínhamos conhecimento. O mundo da publicidade se enriqueceu muito com essa interpenetraão de mundos, e não foram poucas as colaboraões que demos a campanhas publicitárias que efetivamente mudaram o rumo da publicidade brasileira, modificando inclusive a auto-estima dos profissionais da área, subitamente elevados ao patamar que sempre haviam desejado ter. Nasce dai a confusão que os publicitários fazem entre seu ofício e a Arte, tentando ser mais do que realmente são, certamente por insegurança de seu próprio valor real. 

LIdamos intensamente com os dois mundos, e ao mesmo tempo em que criamos campanhas inesquecíveis para C&A, Coca Cola, McDonalds, Chevrolet, Fiat, entre muitos outros, cedemos nossos estúdios e nosso conhecimento da área para que muitos representantes da música paulistana registrassem suas obras. Os Titãs do “iê-iê-i”, hoje apenas TITÃS, gravaram conosco seu primeiro disco, assim como o Língua de Trapo, o Tokyo e seu cantor Supla, e Tiago Araripe, e Cida Moreyra, e Edson Alves, e a Banda Mantiqueira, e até mesmo Aracy de Almeida, para quem produzimos um show no teatro Lyra Paulistana, só para gravar este que foi o último registro de sua verve e talento. Envolvidos no mundo mutável e variadíssimo da publicidade, em que a cada dia se enfrenta desafios totalmente diversos, a memória específica se torna apenas um registro básico: de nada me recordo, naturalmente, mas ao ser citada uma obra minha certamente me lembro, com espanto, dizendo a mim mesmo: - Puxa, fui eu que fiz isso?  Fomos a primeira produtora a fazer uso da nova tecnologia de computaão para geraão de música, e o que hoje é corriqueiro em inúmeros estúdios já foi motivo de visitas e olhos arregalados por parte dos amigos. Além de produzir dois LPs-terapia do Joelho de Porco, que além de nos aliviar a alma alugada também serviam para renovar a atenão do mercado publicitário sobre nossa criatividade, agora já aceita e até exigida pelo mesmo diretor de criaão que a acusou de ser excessiva alguns anos antes, fizemos trilhas para cinema e novelas, participamos de inúmeros eventos e festivais, sempre dando nossa contribuião à traduão de São Paulo, tentando torná-la mais-que-perfeita. Casei-me, tive filhos, plantei arvores, escrevi livros, de certa maneira para não perceber a passagem do tempo e a mudança que se avizinhava.

Seu primeiro sinal foi o próprio mercado de publicidade, inchado até o ponto de quase-ruptura pelos que dele se aproximaram exclusivamente por razões materiais, o que significa a quase totalidade dos que se dedicam a esse ofício. Outro foi a mudança de postura dos clientes, finalmente entendedores do processo de ilusão a que os publicitários os vinham submetendo, e que se profissionalizaram a ponto de entender mais do negócio que os próprios publicitários.  Outro sinal mais poderoso foi a profissionalizaão da contravenão no mercado de música, com os bandidos amadores de vinte anos antes se profissionalizando e galgando degraus inacreditáveis no comando de empresas para quem a música passou a não importar, numa analogia com o mercado de pizzas, pois para o pizzaiolo o recheio não importa, desde que ele venda a pizza que o público não consegue deixar de comprar. Empresas começaram a fechar, gravadoras começaram a não ter mais controle sobre seus produtos, e eu via isso com crescente espanto, e muita preocupaão. O sentimento de que os ventos da mudança começavam a soprar, e a perplexidade de ser aparentemente o único que percebia isso, já que os outros que também sentiam isso não tocavam no assunto, fazendo-o desaparecer ao esconder a cabeça na areia, foi-me gerando imensa preocupaão. Infelizmente, não apenas em mim.  Uma quinta feira de Julho de 1998, depois de um jogo do Brasil na Copa do Mundo, meu sócio, irmão, amigo Tico Terpins pôs a mão no peito e morreu.



Escrito por Lizoel às 21h21
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A Música de São Paulo(Parte VII)

6. Estava a cada dia mais insatisfeito com o que fazia como profissão: meu momento de sucesso havia passado, e eu não me preparara para isso. Shows cada vez piores, cachês cada vez menores, começamos eu e  Tico (que também não estava sabendo bem o que fazer da própria vida) a planejar uma forma de usar nossa tão decantada criatividade, que saia pelos poros, mas não nos rendia nada.  Em vez de ficar ouvindo executivos de gravadoras dizerem a frase-chave de suas vidas: - “Porque vocês não fazem uma música mais comercial?”, deveríamos partir direto para a música mais comercial que havia, e que era a música para publicidade. Essa tinha vantagens sensacionais: era paga, aliás, bem-paga, e sempre contra entrega: já no mundo do disco tudo era feito em consignaão, ou seja, você gravava e esperava pacientemente para ver o que ia acontecer, se acontecesse… Iniciamos a invenão de nossas personas-publicitárias, baseadas visualmente nos Blues Brothers, e para exibir aos executivos de agências de publicidade o quanto éramos criativos, criamos um monte de clientes fictícios e um monte de jingles inexistentes, que gravamos e começamos a levar às agências da época. Era um susto: quando entrávamos nas empresas, ainda muito tradicionais. ninguém entendia aquele par de loucos, um alto e um baixinho, vestindo ternos pretos, chapéus, óculos escuros, e com pastas 007 algemadas aos pulsos. Um desses diretores de criaão, conhecido seca-e-meca por sua ousadia, ouviu nossa fita e decretou: -não tem lugar para vocês na publicidade. Vocês são criativos demais! 

Na casa do Tico a vida era uma festa continua, como as sessões passatempo do Cineac Trianon: o espetáculo começava quando você entrava, e terminava na hora em que você ia embora. Uma festa atrás da outra, e no meio desse processo contínuo chegamos a inventar um grupo novo chamado CARECA & PENTEADO, imensa banda & Grupo coral, que se apresentou numa festa-à-beira-da-piscina na recém-inaugurada casa do Sergio Terpins, irmão do Tico, corintiano tão doente que morreu do coraão no dia em que o Corinthians original veio jogar em São Paulo. Essa banda tinha dois vocalistas: Tico Terpins e o ator Ricardo Petraglia, que já havia sido João da Fúria em umas das versões anteriores do Joelho de Porco, e foi a primeira a fazer uso da linguagem desabrida e pornográfica que mais tarde diversos grupos-descendentes tornaram corriqueira.

O Joelho foi seminal para essas bandas: no teatro Lyra Paulistana, ali num porão da rua Teodoro Sampaio, dirigido pelo Wilson “Gordo” Souto Jr., surgiram movimentos, grupos, artistas, os verdadeiros criadores da nova música paulistana: recordo do Língua de Trapo, do Premeditando o Breque, do Rumo, de Cida Moreyra, de quem produzimos o primeiro show (dirigido por José Possi Netto) e gravamos o primeiro disco, um raríssimo LP selo Áudio-Patrulha.

O tempo passando, eu cada vez menos interessado em minha vida de artista/cantor e cada vez mais ficando em São Paulo vendo se dava para experimentar a realidade da música de publicidade, junto com o Tico, mas sem coragem para encarar aquilo com a exclusividade e o empenho que a coisa merecia. Um dia, estávamos almoçando no Jardim de Napoli, em Higienópolis, junto com Renato Viola, que à época era diretor da Band Records e estava gravando um interessante LP chamado BEATLES IN CHORO, com arranjos de Mozart Terra e a participaão do inacreditável Carlos Poyares. O Jardim de Napoli era quase que nosso refeitório: ali íamos quase todo dia, inclusive fins de semana. levantei-me para ir ao telefone e no aparelho estava um homem dizendo: - Mas a Elis Regina morreu? Com um calafrio, voltei à mesa e falei do que tinha ouvido.- Tolice! disse um, - Estive com ela ontem! disse outro, e até eu mesmo, que a tinha visto dois dias antes, pretendi duvidar. Sempre alegamos a visão da vida como impossibilidade da morte, como se para morrer não fosse suficiente estar vivo. Tico, acostumado ao mundo de boatos que a mídia já impunha, foi mais racional: - Se ao sairmos daqui o rádio estiver tocando músicas dela, ela morreu. Dito e feito: quando saímos do restaurante, as rádios de São Paulo só tocavam suas músicas. No estúdio o rádio ligado confirmou a notícia, e eu gelei. pela primeira vez na vida uma pessoa próxima atravessava para o outro lado. Elis tinha sido quem me justificara como compositor, quando gravou CASA NO CAMPO, minha e do Tavito, e nossos encontros eventuais sempre tinham sido intensos em matéria de amizade. Sua imagem acenando para nós na porta da casa que tinha na Cantareira se repetia incessantemente em minha memória.

Não sei bem porque esta morte tomou tal volume dentro de mim, tornando-se a gota dágua que fez transbordar minha taça de amargores. Sei que fui ao velório no Teatro Bandeirantes, observando com distanciamento crítico o circo de abutres que se movia em torno do caixão, ficando calado quando os repórteres se aproximavam: sei que sai de lá meio nas nuvens, e que caminhei toda a extensão da Brigadeiro e depois da Av. Paulista debaixo de um céu estrelado de verão, fazendo pela primeira vez na vida um balanço de mim mesmo. Não gostei do que encontrei. Eu tinha sido até esse dia um ser-humano-de-segunda-classe, inconsciente de mim mesmo, movido por impulsos incontroláveis e delírios de grandeza sem nenhuma solidez. A morte de Elis, como um sinal específico do que poderia ser meu fim, me fez mudar radicalmente. No dia seguinte, já no Rio de Janeiro, desmontei a minha vida artística, cancelando contratos, shows, gravaões, programas de TV, até mesmo um casamento, e mudei definitivamente, ou quase definitivamente, para São Paulo, onde iniciei o que foi a minha carreira mais importante durante 20 anos: tornei-me um criador de fonogramas publicitários, um “jinglista”, profissão que teve sua ascensão e decadência exatamente durante o tempo em que a pratiquei. Minha mudança verdadeira só aconteceu no fim de 82, e em 83 eu já era cidadão paulistano, cada vez mais paulistano, descobrindo em mim a verdade desse estilo de vida como verdadeira forma de ser, enraizada em minha alma exatamente da maneira como Torquato Neto programara e antevira.  



Escrito por Lizoel às 21h20
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A Música de São Paulo(Parte VI)

5. Meu primeiro show solo foi no Teatro 13 de Maio, ali na Rua do mesmo nome, onde hoje é o Café Piu-Piu. Era um show metido a fantástico, com efeitos de magia e prestidigitaão, e uma banda deliciosa denominada AGÊNCIA DE MÁGICOS, com a qual gravei meu segundo disco solo. Nesse teatro já estavam ensaiando os Dzi Croquettes, a genial invenão de Wagner Mello e Lennie Dale, que lançou em nossa terra as bases do que depois desembocaria nos Secos e Molhados: a androginia como ferramenta da arte. O Teatro 13 de Maio nunca mais foi o mesmo, depois do sucesso dos Dzi Croquettes, mais de um ano em cartaz, com casas cheíssimas. Os Secos e Molhados, ainda sem Neyzinho, eu conheci numa casa muito louca chamada Kurtiço Negro, nos baixos da Rua Santo Antonio, da qual, ninguém se lembra, e eu só tenho certeza de que existiu porque tenho fitas raríssimas de shows dessa casa, com Secos, Luli (mais tarde da dupla Luli & Lucina) e o Alfa Centauri, do Edu. Se não fossem esses registros, eu certamente duvidaria de minha sanidade mental.

Tempos loucos, muito loucos: Moracy Do Val esteve em minha casa, e eu lhe mostrei o LP de uma banda americana chamada Grand Funk Railroad, que despontara para o sucesso subitamente, vindo de um anonimato absoluto, com o expediente de aplicar 1.000.000 de dólares na compra de seu próprio disco, chegando ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos, e dai em diante vendendo pelo menos mais cinco milhões de dólares, tornando-se sucesso instantâneo. Moracy Do Val fez o mesmo com os Secos e Molhados, aplicando uma grana sentida nos discos do próprio grupo, dando o start necessário ao que foi o maior fenômeno do disco de que o Brasil já teve notícia. Mas o destino tanto dá quanto cobra: nesse mesmo apartamento conheci dois amigos americanos de Lennie Dale, que ficaram fascinados com a idéia de uma banda de rock que só aparecia maquiada, e cujos rostos limpos ninguém jamais conhecia. Chamavam-se Gene e Paul, e não foi sem surpresa que algum tempo depois surgiu uma banda americana chamada KISS, ambos filhos das New York Dolls, que certamente eram a inspiraão visual dos Dzi Croquettes.

Negócios, necessidades, mais uma mudança para o Rio de Janeiro, de onde só retornei, dessa vez em definitivo, em 1983, para a montagem do musical BANDAGE! meu e de Miguel Paiva, no Teatro Cultura Artística. Mas minha vida já se prenunciava paulistana, desde o dia em que na Via Dutra, chegando ao Rio de Janeiro, cruzei com o carro do Joelho de Porco. Trocamos telefones ainda em movimento, e mais tarde, quando cheguei ao Rio, me ligaram perguntando como eu poderia ajuda-los a destrinchar as necessidades documentais para que o show se realizasse. Coloquei imediatamente o meu secretario Tim à disposião, o show aconteceu, Tico Terpins ficou imensamente agradecido, pondo sua casa à minha disposião sempre que eu estivesse em são Paulo.

E aí começa a minha permanência cada vez mais constante em São Paulo, até a mudança definitiva para essas plagas. O Rio de Janeiro começava a dar sinais de deterioraão, pelo menos em matéria de música e gravadoras. A Odeon ia sair do prédio onde fizera toda a sua vida, onde o melhor que o Brasil produzira em matéria de música havia sido gravado, e as paredes daquele espaço no Edifício São Borja, ali na Rio Branco, em cima do famoso Paisano, estavam impregnadas pela arte de tantos que nos antecederam. Temi pelos resultados, e meus temores se concretizaram: os estúdios novos eram frios, gelados, sem nenhuma vibraão artística. Alem disso, a onda mais uma vez havia se direcionado para São Paulo, e a tal ponto que eu, mesmo morando em minha casa no Rio, trabalhava e estava baseado em São Paulo. A amizade com o Tico começou a ser cada vez mais intensa. Na casa que foi de seus pais, ali em frente à porta dos fundos da TV Tupi, vivemos momentos de prazer musical- gastronômico-sexual inesquecíveis, como apenas São Paulo podia nos propiciar. O Joelho de Porco estava em seus estertores, e o Tico resolveu acabar com ele de chofre, ficando em casa curtindo. Curtíamos todos, pois: era divertido demais. Minha carreira pessoal estava em franco declínio: problemas pessoais e profissionais se avolumavam, minha fenomenal arrogância dando dezenas de sinais de que não era suficiente para manter-me vivo, e em contato com tanta coisa interessante que acontecia no panorama musical de São Paulo comecei a me perceber insatisfeito, inadequado, incontrolável, a ponto de explodir, e eu sempre explodia. Mudei de gravadora, por incompatibilidade de gênios com os gênios da EMI, fui para a RCA, que era sensivelmente pior do que a anterior comecei a tropeçar em meus próprios pés, e a única coisa que ainda me dava alguma satisfaão era gravar coisas interessantes no porta-studio do Tico, com o qual se iniciou o que seria a nossa vida em comum durante os vinte anos seguintes. São Paulo havia se tornado meu refúgio, a casa do Tico meu porto seguro, os novos amigos a minha referência em matéria de arte.

 



Escrito por Lizoel às 21h19
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A Música de São Paulo(Parte V)

Daí em diante eu só retornei a São Paulo no final da década de 70, quando já no Som Imaginário fizemos duas temporadas: uma com Gal Costa no antigo Teatro Vereda, na rua Frederico Steidel, e outra com Milton Nascimento no Teatro Gazeta, hoje auditório da TV do mesmo nome. Na época do Vereda encontrávamos a turma da meia-noite, que eram Aracy de Almeida acompanhada pelo que mais tarde viria a ser o Joelho de Porco, nesse instante ainda reduzido à figura de seu criador e mentor espiritual, Tico Terpins. A cidade fervia: estavam em cartaz os espetáculos mais fascinantes, Hair, O Balcão, os shows mais famosos, e depois do espetáculo eu sempre ia pegar meu amigo Cláudio Mamberti no Teatro Ruth Escobar, de onde partíamos para pegar mais alguns amigos e amigas na porta do Teatro Aquarius, de onde íamos invariavelmente para um arremedo de boate na Rua Santo Antonio, onde pontificava o fenomenal Roberto Luna, de quem me tornei admirador inconteste. Nos hospedávamos no Hotel Rojas, que depois se tornou meu ponto fixo em diversas temporadas paulistanas, e quando da temporada com Milton, indo mal das pernas em matéria de dinheiro, acabamos por nos mudar para o Amália Hotel, onde eu, várias vezes em anos anteriores havia ido visitar Lennie Dale, vizinho de porta de Geraldo Vandré. Do Rojas fugimos sem pagar a conta, e do Amália quase, porque pagamos a metade, mas eu fiz questão de retornar sempre que possível ao Rojas como forma de ressarcir as despesas que certamente havia dado.

Em 72 estava de volta, aparentemente em definitivo, porque Rogério Duprat, num laivo de genialidade vanguardista, resolvera contratar compositores jovens para produzir músicas de publicidade em sua produtora PAUTA, um antigo estúdio que tinha sido propriedade dos Titulares do Ritmo e que agora Rogério tocava com seu sócio Luis Botelho. Ele fez uma proposta interessantíssima ao trio Sá, Rodrix e Guarabyra, e nós nos mudamos de mala e cuia, começando o que seria uma carreira mais ou menos constante na vida dos três, e que eu abraçaria com exclusividade durante quase 20 anos. Fui morar em um delicioso apartamento de dois quartos na rua Saint Hilaire, aquela sem saída que acaba numa escada na Brigadeiro Luis Antonio onde tem (ou tinha) o Judô Ono. Ali criamos obras-primas da publicidade brasileira, e quando o trio terminou, acabei saindo da PAUTA e indo para a concorrente PROVA, do José Scatena, onde já trabalhavam o Tavito, o Hareton Salvanini e muitos outros, todos comandados pelo Maugeri Neto, um genial criador de jingles, autor dos famosos “varre, varre, vassourinha” e “a pulguinha dançando o ye-ye-ye”

O trabalho de publicidade era fenomenalmente interessante, porque lidava com categorias imponderáveis e um estilo de música que era flagrante quando a gente ouvia no rádio: não havia maneira de confundir um jingle com uma música, mesmo sabendo que os grandes instrumentistas que trabalhavam  conosco eram os mesmos que davam sua contribuião inestimável a música que se fazia em São Paulo. Nessa lida conheci figuras inacreditáveis, como por exemplo, Boneca e Chú, verdadeiros gênios da música, e como verdadeiros gênios que eram, absolutamente exóticos, incontroláveis, engraçadíssimos. Era contrabaixista o Chú Viana, a partir de seus permanentes atrasos se inventou a expressão ”mandar o Ch”, usada sempre que um músico não comparecia a um trabalho e se esquecia não só de avisar que não ia, como também de designar um substituto. Uma vez o Gabriel, também contrabaixista, tinha uma gravaão conosco, e não chegava. Ficamos todos dizendo: - Mas o Gabriel “mandando o Chu?” Gabriel não é disso… será atraso ou está “mandando o Chu”, mesmo? Três horas depois do horário marcado, abre-se a porta do estúdio e entra o Chu Viana, com a seguinte frase: - Desculpem o atraso. O Gabriel me mandou no lugar dele... O mais alucinado era sem dúvida o Boneca, guitarrista extraordinário, multi-instrumentista, inventor, merecedor de urgente biografia, de quem a memória só registra o carro que se movia à água e o carro que tinha duas caixas de marcha, uma pra frente e outra pra trás. Ele ia para a Marginal, desafiava os "boyzinhos" para um pega, só que de costas, e quando os carinhas topavam ele metia primeira, segunda, terceira, quarta e sumia na curva, deixando a moçada boquiaberta.

 



Escrito por Lizoel às 21h18
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A Música de São Paulo(Parte IV)

Éramos contratados do Marcos Lázaro, e ele, muito sabiamente, não nos exclusivizara na Record: por isso um dia fizemos  um programa de domingo na TV Excelsior, e eu decidi almoçar no Gigetto, onde o papo com alguns amigos e amigas me fez atrasar para o programa. Sai em disparada, entrei num táxi e disse:- Por favor, amigo, rapidinho para TV Excelsior! O motorista abaixou a bandeira, ligou o carro, deu uma marcha-à-ré de 20 metros, se tanto, e parou do outro lado da rua. Eu não fazia a menor idéia de que a TV Excelsior fosse na mesma rua, ali onde hoje funciona o Teatro Cultura Artística.

   Foi Torquato Neto quem me ensinou a amar essa cidade: uma noite estávamos em sua casa, um micro-apartamento no prédio dos cines Metro – S.João (onde eu uma vez fui barrado por estar sem paletó nem gravata) e ele percebeu meu desgosto com a metrópole que eu não conseguia entender. Levantou-se, pegou um casaco e disse: - Vem comigo. Saímos andando por uma madrugada paulistana típica, com garoa, passando por todos os ícones dela, restaurantes, bares, boates, prédios, praças, pessoas, enquanto ele mansamente me explicava a cidade e suas idiossincrasias. Quando o sol nasceu estávamos de volta ao prédio, e eu já estava em paz com minha futura morada.

   Nessa época gravamos em São Paulo o primeiro (e único) LP do Momento Quatro, exatamente naquele estúdio da Rua Dna. Veridiana, que agora se chamava Scatena e era o melhor que havia em todo o Brasil. Nosso produtor era Manoel Barembein, produtor dessa nova música tropicalista, desse som universal que São Paulo vinha produzindo, escolhido por nós exatamente para  possibilitar o exercício da modernidade que desejávamos, ainda que na maior parte do tempo fossemos exatamente aquilo do que queríamos escapar. Os Mutantes, também produzidos pelo Barembein, dividiam o estúdio conosco, na gravaão de seu primeiro e mais fascinante disco. Tecnologia novíssima, as fitas de quatro canais eram raras, e quando terminamos de gravar uma delas, fixando metade das bases instrumentais que Rogério Duprat e Damiano Cozzella nos haviam escrito, passamos para uma segunda fita para gravar o resto. Na hora em que tudo estava terminado, a descoberta terrível: a segunda fita era a primeira, tínhamos gravado sobre uma fita usada, e a gravaão da segunda metade apagara os primeiros arranjos gravados. Tudo acabou sendo refeito, sem maiores danos, a não ser a meu senso de destino, mas esse apuro me deixou com a certeza de que a tecnologia é excepcional quando ajuda, mas péssima quando atrapalha.   

4. O fato de todos termos sido tradicionalistas em 67 e tropicalistas em 68 mostrava nosso paulistaníssimo pragmatismo, mas também nossa esquizofrenia invertida, pois comeáramos como bombeiros e nos transformáramos em incendiários, sem que isso desse qualquer resultado. No Festival da Record de 68 conheci uma dupla de compositores cariocas interessantíssimos, Rô e Carlinhos, que haviam sido classificados com sua FESTA É FESTA no balaião, mas que, como eu mesmo com a minha A CHARRETE, não foram reconvocados para a finalíssima. Sem problemas: o Hotel Danúbio estava tão cheio que ninguém se preocupava mais em saber quem estava hospedado e quem não estava, e o trânsito nos corredores durante a madrugada era maior que o trânsito entre as boates de prostituião da Major Sertório e os hoteizinhos baratos que delas se serviam como fornecedoras de matéria-prima. Juntos fomos ser hippies em Porto Alegre, não me perguntem porque exatamente em Porto Alegre, e em 69 eu e Rô voltamos a São Paulo, ficando definitivamente hospedados durante meses na biblioteca da casa de Márcia Pedroso Horta, uma figuraça que tinha sido casada com o Carlos Thyré, pai de sua filha Bárbara, e que agora estava morando com Flavio Porto, irmão de Sergio Porto, o famoso Fifuca. Com ela penetramos os desvãos da iniciante TV Cultura, onde fizemos alguns programas esperando uma efetivaão, que nunca veio.

 



Escrito por Lizoel às 21h17
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A Música de São Paulo(Parte III)

Ficávamos hospedados no Hotel Danúbio, e à época do Festival de 67, do qual participamos com Edu Lobo, Marília Medalha e o Quarteto Novo na defesa de PONTEIO, de Edu Lobo e Capinan. Meu quarto, dividido com Ricardo Villas, era parede-meia com o de Gilberto Gil, que rodava sem parar numa vitrola o disco SGT. PEPPER´S LONELY HEARTS CLUB BAND, dos Beatles, sem que entendêssemos porque. No dia do festival ficou tudo claro: era a mudança radical da chamada MPB que se prenunciava naquele quarto de Hotel onde ele morava com Nana Caymmi, com quem estava casado à época, e que explodiria no palco da Record com DOMINGO NO PARQUE, fazendo par com ALEGRIA, ALEGRIA, mudando definitivamente a forma como enxergaríamos o fenômeno da música dai em diante.

 A vitória de PONTEIO hoje me parece uma vitória de Pirro: o júri, simpático e incompetente como todo e qualquer júri de festival, premiara o que estava por vir, mas garantira a supremacia do que já estava estabelecido dando o primeiro lugar a PONTEIO. Para nós, que vínhamos do nada quase absoluto, foi inacreditável: a viagem que deveria levar apenas um fim de semana se multiplicou enormemente, e passamos mais de duas semanas em São Paulo, fazendo TODOS os programas musicais da TV Record, que sempre apostava todas as suas fichas nos festivais que produzia. Rendeu-nos, no entanto, uma deliciosa noite: o poeta suço Simon Tygel, pai do David, nosso companheiro de quarteto, resolveu propiciar-nos uma noite de reis. Levou-nos primeiro a um restaurante em outra unidade da federaão, tal a distância que percorremos: atravessamos rios, pontes de madeira, estradas escuras sem calçamento, até chegar a um estranho lugar que ele disse ser o bairro dos imigrantes alemães de São Paulo. O restaurante? O Köbbes, que fechou faz pouco tempo, e ficava logo ali, em frente à estátua do Borba Gato, tão perto e tão longe, hoje em dia, graças ao trânsito da região. Depois de um jantar digno dos imperadores do planeta, atravessamos de volta a escuridão selvagem que nos separava do centro de São Paulo e fomos literalmente jogados dentro do Kilt Club, onde já nos esperavam quatro profissionais do amor, contratadas pelo Simon para dar-nos o melhor de todos os prêmios. Do meu, nada tenho a reclamar: era uma profissional de primeiríssimo time, com sabedoria suficiente para não só controlar, mas também se aproveitar com sucesso de minha sofreguidão adolescente.  Sabores da música, da gastronomia e do sexo, santíssima trindade dessa cidade nem um pouco santa.

3. Contratados por Marcos Lázaro, que na verdade era o fornecedor de atraões artísticas da TV Record, passamos a freqüentar São Paulo cada vez mais amiúde. Devo dizer que detestava a cidade: o ar cansado das construões, os raríssimos dias de sol, os quartos de hotel, os estúdios de TV, os restaurantes, bares e boates que freqüentávamos não eram suficientes para mostrar a alma da cidade, ao mostrar só uma parte dela. Chegou um dia em que a pizza do ZiTeresa, ao lado do Teatro Record, não descia mais: o Patachou ainda era a melhor opão, depois dos programas, e eu me acostumei a pedir o Filé a Torquato Neto, inventado pelo próprio: Filé alto, arroz com passas e champignons, batatas portuguesas e compotas quentes, uma mistura de doces de goiaba, morango, abacaxi, que adicionados ao prato deixavam-no inacreditavelmente exótico e saboroso. Os ânimos ferviam, e eu assisti à briga de Caetano e Vandré quando Caetano, acompanhado de Gal, mostrou-lhe a música que havia feito para que ela gravasse, uma delicadeza em 3/4 chamada BABY. Quando Vandré ouviu a frase “você precisa saber da piscina, da margarina, da gasolina”, bateu a mão na mesa, interrompendo a canão e gritando: - Mas isto é uma merda! Caetano já não gostava de não ser adorado por todos: quase voou no cangote de Vandré, que se escafedeu rapidinho.

   



Escrito por Lizoel às 21h15
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A Música de São Paulo(Parte II)

 
No dia seguinte, uma sexta-feira, saímos pela tarde para “dar uma banda”, como meus primos diziam, me ensinando uma expressão nova que eu raras vezes tive coragem de usar, por considerá-la possível apenas em São Paulo. Entrei pela primeira vez na vida em um estúdio de gravaão, o da antiga RGE, se não me engano, na Rua Dna. Veridiana, onde Cely Campello gravava mais um disco, lá encontrando os Titulares do Ritmo, seis cegos musicalíssimos que faziam os vocais de apoio, o saxofonista Bolão, e pude ver meu primo Jurandir abafando a caixa da bateria com a gravata que usava, para que o som ficasse mais surdo, como o Tony queria. Na saída de lá, ainda tonto, comi o primeiro hambúrguer de minha vida, numa lanchonete americanizada da Av. Angélica chamada Gonçalito. No sábado experimentei as delícias da culinária paulistana: mais um hambúrguer no Burdog, uma lanchonete do lado do cemitério do Araá, que meu primo Biguá fez questão de afirmar ser a fonte da carne do hambúrguer que eu estava comendo. Pelo sim, pelo não, não pedi o segundo. No domingo, nosso último dia, enfrentamos uma inesquecível comida italiana em um restaurante chamado Jardim di Napoli, do qual sou freguês até hoje, acompanhando-o desde essa sede original no Viaduto Maria Paula até o lugar que hoje ocupa, em Higienópolis.  Jurandir não nos acompanhou: tinha que estar na televisão, no programa do Roberto Carlos, e eu só fiquei pensando amargamente porque não tínhamos ido com ele. Nessa época nem tudo era possível, como hoje. 

2. Não posso dizer que sim nem que não, mas de alguma maneira essa experiência de quatro dias em são Paulo deve ter marcado a minha vida, porque da próxima vez que voltei a São Paulo, cinco anos depois, já era semiprofissional de música, cantando em um grupo vocal chamado Momento Quatro, mais um dos inúmeros quartetos vocais que o MPB4 tinha deflagrado em todo o país. A primeira vez que entrei no Teatro Record, na rua da Consolaão, quase rolei as escadas: era O Fino da Bossa, se não me engano, e a viagem de trem até São Paulo revelara a presença de muitos famosos, que insistiam em tomar o “avião dos covardes”, como era conhecido entre eles: lá estavam Vinicius de Moraes, Aracy de Almeida, Cyro Monteiro, e eu comi o mesmo filé-a-cavalo que eles haviam pedido, queimando nas papilas gustativas da minha memória o seu sabor inacreditável jamais reencontrado. No Teatro Record cruzei com gente que até então era apenas um retrato nas revistas, uma voz nos discos, uma imagem nas TVs, e à noite, saindo do programa, fomos levados a um restaurante chamado Patachou, num segundo andar de um prédio na inacreditável Rua Augusta, onde essas mesmas pessoas estavam bem diferentes, naturais, sem as roupas chiques com que tinham feito o programa, rindo, conversando, cantando, numa intimidade invejável.

Noto com certo prazer o quanto essas memórias estão unidas aos sabores da comida de São Paulo: não há nenhum momento de que me recorde que não esteja intimamente ligado a um sabor único, inesquecível, recuperado de vez em quando no próprio lugar onde foi experimentado pela primeira vez, ou então na minha própria cozinha, quando o paladar aguçado pela saudade me faz ir em busca do sabor perdido. Os sabores da música de São Paulo são tão ou mais variados que os gastronômicos. Nesse Patachou cada um tinha seu prato preferido, e se o enevoamento progressivo da mente não me permite recordar quais seriam eles, pelo menos me faz ver claramente em seu salão a nata da música popular brasileira da época: Elis, Vinicius, Baden, um jovem e ansiosíssimo Vandré, um animadíssimo Jair Rodrigues, um caladíssimo Chico Buarque de Holanda. Havia recém acontecido o Festival da Record de 1966, em que DISPARADA havia empatado com A BANDA, e nunca houve um momento como esse: a música que se fazia no Brasil era a coisa mais importante que o Brasil tinha, mobilizando multidões em todo o território nacional, e São Paulo se tornara a Meca de quem quer que se achasse possuidor de talento suficiente para pretender um lugar ao sol. A cidade fervia, com inúmeros bares e boates onde essa música era tocada, cantada, dançada, vendida, comprada, gerando um cabedal astronômico de lucros. Nunca participamos do programa de maior sucesso do momento, o campeoníssimo ESTA NOITE SE IMPROVISA, onde tanta gente acabou por destacar-se antes de poder mostrar musicalmente aquilo a que tinha vindo, mas a programaão da TV Record era realmente o que havia de melhor e mais importante para a música feita no Brasil.



Escrito por Lizoel às 21h13
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A Música de São Paulo

Faço parte de um grupo de discussão maneiro, o Ofitopique, ao lado de figuras como Alexandre Lemos, Zé Rodrix, Roberto Azevedo entre outros fanáticos por música e suas vertentes. Hoje recebemos um texto muito legal do Zé Rodrix falando sobre a Música de São Paulo, onde, é claro, o Língua é citado. Por ser um texto precioso e com aquiescência do autor, republico-o aqui neste BDL. Ele será publicado em nove partes por ser muito grande. Mas vale a pena conferir esse depoimento de um artista denso como o Zé.

A MÚSICA DE SÃO PAULO (uma memória pessoal)
 
 
1. Só posso falar do que vi e ouvi: o contrário disso seria impor a quem me lê uma idéia falsa do que pretendo dizer. Meninos, eu vi, mas apenas o que vi, e não falo do que não vi nem relato o que não experimentei. Se existe alguma verdade sobre a música de São Paulo, esta verdade só pode ser a sua escandalosa diversidade, tão imensa que seria impossível tentar abarcá-la, e por isso devo narrar exclusivamente os acontecimentos e as experiências musicais que assisti com meus próprios olhos, das quais participei como artista ou platéia, dando noticias de seus resultados. Aquilo que essas experiências causaram em meu caminho por esta Paulicéia desvairada, desvirada e devorada, foi-se insinuando vagarosamente em meu coraão a ela avesso, tomando-o permanentemente quando eu menos esperava e tornando-se parte de mim mais do que qualquer outro lugar desse mundo.

São Paulo era menos que um retrato na parede, no início da década de 60. Em minha casa carioca no bairro de Botafogo era mencionada apenas como “a cidade para onde seu pai queria ir quando saiu da Bahia”, marcando a partir dessa súbita mudança de planos, a minha naturalidade tão distante da Bahia original quanto da metrópole pujante que nunca fora alcançada. Tinha notícias vagas da existência de parentes nessa cidade, primos paulistas, como eu também fruto de uma viagem da Bahia para o sul, só que sem a desistência causada pelo encantamento da Cidade Maravilhosa que acometera meu pai à primeira visão da Praia de Copacabana. Meu tio Cantídio, quando vinha do sertão baiano para renovar o estoque de seu bazar em Brumado, sempre visitava nossa família, tão pequena aos moldes do clã dos Trindade, em que ninguém alguma vez teve menos que 11 filhos. Em casa éramos apenas três, e quando meu tio chegava com noticias dos inúmeros primos do sertão, essas noticias só tinham contraponto nas narrativas sobre os primos de São Paulo, também muitos, e da mesma forma fora de meu alcance, pela distância.

Em 1961 vim a São Paulo pela primeira vez, para um Campeonato Nacional de Judô, esporte que tanto eu quanto meu pai praticávamos: minha mãe nos fez companhia nessa vigem de ônibus, por uma Dutra bem diferente da de hoje, atravessando cidades estranhas e subitamente chegando a um lugar gigantescamente avassalador. A impressão que me deu, à época, só a explico hoje: se soubesse disso, teria certamente dito estar em uma cidade só centro, sem periferia nem bairros. A temperatura, a luz invernal, as pessoas vestidas de maneira tão diversa da que eu conhecia, me puseram imediatamente em um país estrangeiro, que eu sequer tentei compreender, mas do qual me admirei muito.

Meus primos moravam numa transversal da rua da Cantareira, Pedro Álvares Cabral, perto do Mercado Central, e quando lá cheguei descobri um fato alucinante: O mais velho deles, Jurandir, mais um dos inúmeros tipos meio-malucos em que a família Trindade é próspera, revelou inesperadamente ser o baterista de um conjunto de rock’n’roll chamado Jet Blacks. Foi, à moda de Manoel Bandeira, o meu primeiro alumbramento: eu era fã do grupo, um conjunto instrumental de guitarras tipo Ventures, do qual eu possuía um LP denominado TWIST COM OS JET BLACK’S, que ouvia sem parar na vitrola de casa. Jurandir se tornou, imediatamente, meu ídolo, contando histórias de artistas, shows e gravaões, relatando tal intimidade com gente famosa que eu nem piscava. O mais terrível é que tudo era verdade: no meio da conversa bateram à porta e era Tony Campelo, o irmão da Cely, querendo falar com ele sobre a gravaão de um disco nos dias seguintes. As roupas, os cabelos, as botas dos paulistas, eram inacreditavelmente mais fascinantes que o sotaque carregado, só antes ouvido na voz de Isaurinha Garcia, e o Campeonato de Judô se desvanesceu de minha mente como que por encanto. Não me recordo de nenhum detalhe das lutas, nem mesmo de como eu e meu pai conseguimos as medalhas que trouxemos para casa: a música que se fazia em São Paulo, a vida que vibrava em torno dessa música, passou a ser tudo que me interessava.(Continua)

 

   



Escrito por Lizoel às 21h10
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Swinguinho bom...

DANÇA DE OUTONO

letra: Rogério Santos

música,voz e violão: Pituco

*clique no título e caia na dança cosmopolita

por entre as paredes soturnas
dos prédios da Avenida Paulista
o som do vento passeia sorrateiro

pelo leito desse cânion urbano
onde vidas deslizam feito água
ninguém se dá conta dos passos

é o outono que pede licença
bate à porta da margem direita
e reinicia seus rituais de dança

na blusa fina da elegante menina
a piscadela derradeira
dita o ritmo da música no salão

a chuva que castiga a cidade
no final do mês de março
carrega de lágrimas o verão

abraçsonoros

namaste



Escrito por Pituco às 19h55
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O que vai bombar no próximo Fashion Week

O mundo Fashion é realmente fantástico e prático. Antevendo as próximas enchentes que assolarão São Paulo e muitas capitais brasileiras, os estilistas já correram atrás da solução para o pedestre incauto. Vejam na foto acima, a tendência para a próxima estação de moda para os pés.



Escrito por Lizoel às 09h00
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Balada do Caos Aéreo

A sala de espera é do povo
Como o céu já foi do avião
O céu foi do avião…

Em São Paulo, Congonhas
Só quem voa é cegonha
Lá no de Rio Branco
Avião só no tranco
A pista de Brasília
Mais parece uma trilha
No Eduardo Gomes
Acabaram-se os comes
O Santa Genoveva
É o caos e a treva
No Zumbi dos Palmares
Não tem nada nos ares
Já o Pinto Martins
Tá pior que o Confins
E o Confins, confirmado
Tá parado, parado
Não se ouve um motor
No lá de Salvador
No Marechal Rondon
Só comendo bombom
Embarque em Campo Grande
Paciência de Gandhi
E do Aguiar Salles
Por favor, nem me fales
No de Aracaju
Tá o maior sururu
E check-in demorado
É no Cunha Machado

A sala de espera é do povo
como o céu já foi do avião
o céu foi do avião…

Diz que no Castro Pinto
Ninguém aperta o cinto
Júlio Cesar, Belém
Vôo na hora não tem
Ai, o Afonso Pena
Tá da gota serena
Gilberto Freyre então
Não tem mais solução
No Petrônio Portella
Já botaram cancela
Tom Jobim tão dizendo
Que só vai se benzendo
No Augusto Severo
No saguão eu te espero
Pista de Belém Novo
Tá vazia, meu povo
Dá a maior canseira
Ir ao Jorge Teixeira
Foi no de Boa Vista
Que invadiram a pista
Vôo no Hercílio Luz
Nem rogando a Jesus
Sabe o Franco Montoro?
Tá comendo o couro
Viracopos, Campinas
só vôo pras Filipinas
No de Palmas, meu nêgo
Ninguém mais tem sossego

A sala de espera é do povo
como o céu já foi do avião
o céu foi do avião…

OUÇA AQUI


Escrito por Castelo às 18h11
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