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O imponderável

Depois de quase um mês de férias da internet – concedidas a mim por mim mesmo – parece que escolhi um dia um tanto quanto atribulado para voltar.

 

No momento em que publicava o post abaixo, o Brasil quase perdia para a África do Sul, a imprensa caprichava no obituário da Pantera Loira, enquanto, na Califórnia, o Rei do Pop batia as botas.

 

De vez em quando a nossa rotina é atropelada pelos “grandes acontecimentos”.

 

Como naquela manhã de 11 de setembro. Eu liguei a televisão para saber detalhes sobre o assassinato do prefeito de Campinas, Toninho do PT, ocorrido na noite anterior, e me deparei com aquele espetáculo macabro. Parecia filme, mas era real. Diante de nossos olhos, ao vivo e em cores, o império americano literalmente ruía.

 

Era o fim. O sanguinário presidente norte americano não ia deixar barato. O revide deflagraria a terceira guerra mundial, dando início à hecatombe nuclear. A humanidade iria pro vinagre.

 

O mundo não acabou, mas a TV teve o seu show (em 2001 a internet não tinha a popularidade de hoje em dia). Desde a guerra do Golfo, dez anos antes, a mídia não tinha oportunidade de cobrir um acontecimento daqueles. Não ouvi uma palavra sobre o assassinato do prefeito. A imprensa mundial estava mobilizada, ou melhor, imobilizada em torno do atentado.

 

Lembro que, na época, viajei na seguinte idéia: e se naquele mesmo dia, morressem o Papa, a Madonna e o Roberto Carlos? Como a mídia faria para dar o devido e retumbante destaque a fatos tão imponderáveis?

 

A notícia de ontem nem foi tão surpreendente assim. Como bem lembra o colega Paulo Ricardo, na “Folha” de hoje, a dura verdade é que o “negro querubim” já estava morto havia tempo, assim como Elvis morreu ao entrar para o Exército.

 

Não importa tanto o fato, o que vale é a repercussão. Da morte de ídolos a meninas arremessadas pela janela de um prédio, a mídia sempre fará da cobertura um abominável show de horrores. E isso porque parece que a maioria do público quer assim.

 

É como se nessas horas nós saíssemos da pequenez de nossas vidinhas e pegássemos carona na grandiosidade das comoções coletivas.

 

Assim foi também naquele primeiro de maio. O Língua de Trapo estava “passando o som” no palco armado numa praça do bairro do Belém, onde ao meio-dia faria show comemorando o Dia do Trabalho, quando veio a notícia da morte do herói nacional, campeão da Fórmula 1.

 

Após breve confabulação, optamos por adiar a apresentação. Não havia clima para um show de humor.

 

Ao meu lado, o técnico de som Capivara, vocalista de uma banda punk, comentava com frieza: “Se fosse eu não cancelava não. Esses caras que jogam futebol e esses que correm de automóvel, ganham uma puta fortuna, eu quero mais é que eles se f****!”

 

Por mais insensível que pareça, a análise do Capivara não deixa de ser correta. E se aplica também a mega stars do entretenimento.

 

De todo modo, nos entristecemos pela vida conturbada e pelo prematuro fim do Rei do Pop.



Escrito por Laert Sarrumor às 11h11
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Beija, me beija, me beija!

Elas batucam, e o coração batuca junto.

Elas rodopiam, e a cabeça rodopia junto.

Cara, como isso é bom!



Escrito por Laert Sarrumor às 17h12
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Nem piada pode mais?

O livro em questão nem é de minha autoria. Mas não posso ficar em silêncio diante da notícia. 

Ao lê-la fiquei estarrecido. Não bastam as multas do Kassab, não chegam as leis nazi antifumo do Serra e agora é preconceituoso contar piadas para crianças?

Ora, ora, onde vamos parar? Vai ser proibido arrotar dentro do banheiro acima de "x" decibéis? Será vedado comer pizza de alho? Ou, quem sabe, dar uma gargalhada depois das 11 da noite?

Não seria Estado demais para uma sociedade só?

Digam-me, mestres dos politicamente correto, o que querem mais de nós?

Já pagamos tributos em excesso, já ouvimos bobagens ao quadrado na TV Senado e nas propagandas eleitoreiras contumazes.

Tudo em nome de um progresso que vossas excelências se arvoram de constantemente nos propiciar.

Em assim sendo, ases da razão e do desenvolvimento, espicacem nossos livros engraçados e fora da faixa etária. Relativizem nossas ideias "vulgares". Mas ao agir assim, lembrem-se do pai da Teoria da Relatividade.  Não era Einstein quem dizia que a palavra "progresso" não terá qualquer sentido  enquanto houver crianças infelizes? Pois então deixem ao menos essas criaturinhas sorrirem. Enquanto elas podem.

E meus pêsames, amém.

 "Sindicância foi aberta para identificar os responsáveis pelos erros no processo de seleção e compra dos livros do projeto Ler e Escrever.Cinco livros do Programa Ler e Escrever foram considerados inadequados pelo governo do Estado de São Paulo para as salas de aula do ensino fundamental, conforme anunciou ontem. O governo fez um pente-fino nas 818 obras escolhidas para o projeto Ler e Escrever, depois de a Folha revelar que havia ocorrido erro na escolha de ao menos dois títulos. Os livros considerados inadequados são: "Um Campeonato de Piadas", de Laerte Sarrumor e Guca Domenico, da editora Nova Alexandria, por conteúdo preconceituoso; "Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora", de Alberto Pucheu, André Dick, Bruna Beber, Danilo Monteiro, Diego Vinhas, Elisa Andrade Buzzo, Fabrício Carpinejar, Fabrício Corsaletti, Joca Reiners Terron, Marcelo Camelo, Mário Bortolotto, Paulo Scott, Paulo Seben e Rodrigo Petronio, da editora Ática, por inadequação para a faixa etária; e "O Triste Fim do Menino Ostra e Outras Histórias", de Tim Burton, da editora Girafinha, por inadequação para a faixa etária. Um deles, que possuía palavrões, foi retirado já no meio deste mês. O outro ("Poesia do Dia - Poetas de Hoje para Leitores de Agora"), a princípio, apenas sairia do material da sala de aula da terceira série e iria para as salas de leitura -para estudantes mais velhos. O título contém uma poesia com ironias do tipo "nunca ame ninguém. Estupre". Ontem, o governo anunciou que retirará a obra das escolas por inadequação à faixa etária. Outros quatro títulos serão retirados. Três dos quais também por inadequação etária: "O Triste Fim do Menino Ostra e Outras Histórias"; "Memórias Inventadas - A Infância"; e "Manual de Desculpas Esfarrapadas: Casos de Humor". A quinta obra será retirada por conteúdo preconceituoso ("Um Campeonato de Piadas"). O governo estadual disse que os livros "serão recolhidos imediatamente" das escolas. Em nota, a pasta afirmou que "o Ler e Escrever é responsável pelo avanço na educação das crianças, com o índice de alfabetização aos oito anos de idade passando de 87,4% para 90,2% entre 2007 e 2008 [segundo indicadores da Secretaria da Educação]". Os livros atendem os alunos das primeiras quatro séries do ensino fundamental. Podem ser utilizados pelos professores nas salas de aula ou ficar nas salas de leitura, sob supervisão de um docente. A intenção é estimular as crianças a lerem."



Escrito por C. Castelo às 00h25
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Exclusivo!

A (tardia) resposta do 

Ex-Governador

Ouça aqui



Escrito por Ex-Governador às 18h59
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o espírito da coisa...

como o bdl tem, por vezes, esse caráter 'memorial', resgato por aqui uma passagem da banda, motivado pela surpresa de reencontrar, virtualmente, o disco do grupo carioca, o espírito da coisa, num site de download gratuíto.

apesar da tradicional rixa entre cariocas e paulistanos, a identificação entre os membros dos grupos foi imediata...

e , tornou-se comum o troca-troca nas apresentações das bandas...tanto o língua abria a coisa, em sampa, como o espírito entrava antes do trapo, no rio.

em um dos vídeos antigos do língua no programa de variedades 'perdidos na noite'(fausto silva), lançamento do '17 big golden hits...', eu canto 'rainha do karaokê'(joão lucas/castelo) e 'marcinha ligou'(a.mugnaini/sarrumor), trajando nada menos que a camiseta promocional d'o espírito da coisa, cuja estampa era a foto do então presidente ronald reagan(usa), babando sangue.

há outras estórias e muitas 'fofocas', que minha atual paciência 'andropausíca' não me deixa registar aqui, nessa que seria uma resenha...rs

de qualquer maneira, deixo um áudio pra galera ouvir...creio que seja uma das canções que o sarrumore curtia, exatamente, pela morbidez da letra e a sensualidade da voz da 'katita'.

 espírito da coisa - nenê

abraçsonoros saudosos

namaste



Escrito por Pituco às 05h08
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A primeira vez

Quarta-feira o Língua de Trapo fez show no Sesc de Bauru, mesmo lugar onde, há exatamente 29 anos, os editores desse blog pisaram num palco, fora da faculdade onde se conheceram, pela primeira vez!

 

Foi no Festival de Música de Bauru, no ginásio do Sesc, em maio de 1980, nos dias 30 (ou seja, amanhã, por isso o “exatamente”) e 31, sexta e sábado. A final foi no domingão, dia 01 de junho.

 

 

 

A gente classificou duas músicas para a final: Tragédia Gramatical (deste Sarrumor) e Teologia do Sambão (minha e do Guca Domenico, feita a propósito da vinda do Papa João Paulo II ao Brasil naquele ano).

 

O grupo nem chamava Língua de Trapo ainda. Fomos de busão de carreira para lá. Eu, Guca Domenico, Carlos Melo (Castelo), Pituco, Lizoel Costa, Tigueis e Celso Mojola.

 

 

 

No meio da música do Papa, o Carlão (como chamávamos o Castelo na época) imitava o então governador Paulo Maluf, em pleno final da ditadura. No final da apresentação fomos abordados por um policial militar. Suamos frio, mas o gambé só queria nos parabenizar, pois estava com bronca do governo, que havia atrasado o seu soldo.

 

 

 

A moça com a flor no cabelo concorria com outra música, mas se juntou a nós numa exótica e sensual dança no solo da “Tragédia”, tão empolgada que ficou com a performance neymatogrossense do Pituco.

 

 

 

Depois do show de anteontem, fomos procurados pelo Teruo Kosaka, um entusiasmado fã, que pegou nosso autógrafo em seu exemplar do primeiro disco da banda, com vinil verde e tudo, e nos presenteou com as históricas fotos que ilustram esse post.

 

Valeu, Teruo! Não é sempre que uma primeira vez é assim tão bem documentada.



Escrito por Laert Sarrumor às 20h35
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pensatas do pituco

'a grande prova de amor está no primeiro peido'.

'o grito pode ter várias interpretações, durante uma relação sexual...até mesmo uma cãimbra no dedão do pé'.

'verde na refeição e até no time de futebol'.

namaste



Escrito por Pituco às 11h43
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Castelo assume!

Castelo, também conhecido como o Carlos Melo, do Língua de Trapo, assume mais uma vez o seu lado cool, interpretando Pederasta, de Ruy Fernando Barboza, em mais um elegante vídeo em P&B, com imagem invertida.

O venerando editor deste blog completa assim a Trilogia da Boiolagem, que traz também as impagáveis E Daí? e Relationship No More - ambas de sua autoria, a primeira em parceria com Guca Domenico, que a interpreta nessa gravação.

 

Uma ótima semana a todos.

 



Escrito por Laert Sarrumor às 17h13
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Viver e morrer

Assim como já explicou o Pituco no post abaixo, todos nós do Língua tivemos a grande oportunidade de conhecer um ídolo de adolescência para quase todos da banda no início da nossa história, quando ele participou do nosso primeiro disco. Quase em coro a banda, que já o conhecia através dos discos e todos eram fãs, aquiesceram e no dia seguinte tava lá o Zé Rodrix pra gravar umas faixas com um Teclado Prophet 5 que na época era o "must" em termos de sintetizador. Dessa época em diante, a gente sempre se cruzou nos bares da vida e mais de perto, através da convivência no Ofitopique, um grupo de discussão da internet, onde realmente aprendi a conhecer essa figura maravilhosa e bondosa. A última vez que o vi, foi no ano passado quando tive o prazer de assistir pela primeira vez o Sá, Rodrix & Guarabira ao vivo no Sesc de Taguatinga aqui em BSB. Saimos depois do show junto com alguns amigos e botamos os papos em dia. Ainda na quinta estava trocando idéias com ele, via e-mail. Zé se foi... No entanto, Ficarão comigo muitas lembranças suas: Os seus discos que tenho todos, sua sabedoria e principalmente uma frase que ele cansou de repetir quase à exaustão em nossas conversas virtuais: "Você acredita no que quer, pode e consegue". Esse bordão é valiosíssimo e vou levá-lo vida afora quando me deparar com a burrice itinerante pelo caminho. E posso dizer, a exemplo de outros amigos participantes, que minha visão de mundo mudou bastante desde que comecei a frequentar esse grupo de discussão. Tenho certeza que cada um ajudou um pouco nessa mudança, mas o Zé e sua catarse de sabedoria foi preponderante para isso. Grande irmão, grande figura, vai em paz e mande um abraço para o Tico Terpins e outros amigos que já se foram, por mim. Só me resta fechar esse pequeno depoimento deixando um pequeno clip de imagens que editei de última hora, com uma música dele chamada "Sempre que eu vou morrer" em parceria com Alexandre Lemos.

 



Escrito por Lizoel às 23h19
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valeô, zé...

em 82 o língua de trapo gravou seu primeiro LP independente...o azulão.
participaram vários músicos convidados e entre esses, o compositor zé rodrix que, àquela época, acabava de adquirir o prophet 5...última geração em matéria de keyboard.

no mesmo ano, ele e o tico terpins me chamaram pra gravar o meu primeiro jingle publicitário...era pra 'coca-cola', se não me falha a memória...e junto comigo estava a ná ozetti, então vocalista do grupo rumo.
os dois eram sócios do saudoso estúdio áudio patrulha, mais tarde renomeado de 'a voz do brasil'.

nos reencontramos durante o 'festival dos festivais' promovido pela rede globo de televisão, em '85...reestabeleceu-se o contacto e vira e mexe, eu era convocado pra vender 'pão de açúcar', 'C&A','fiat' e um montão de coisas que não me recordo agora.

hoje, sexta-feira, recebo a notícia de seu passamento, vítima de um mal súbito.

e a música brasileira perde um dos grandes músicos pop...desde o 'clube da esquina' assim como do rock rural com 'sá,rodrix e guarabyra'.

zé,
descanse em paz...com carneiros e cabras pastando solenes em teu jardim.

namaste



Escrito por Pituco às 13h17
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Finalmente, o strip tease da Grace!

Não havia postado antes, simplesmente porque a nossa cinegrafista, dona Márcia, não gravou.

 

O vídeo abaixo, que registra esse momento glorioso da Grace Black no show do Língua de Trapo, no cabaré francês da choperia do Sesc Pompéia, foi gentilmente cedido pela Alê Biscardi.

 

O começo tá escuro, teve um pedaço cortado (o comecinho), mas dá pra ter uma boa idéia do que foi...

Esse número é uma sátira ao vídeo Nude Magic, da artista performática inglesa Ursula Martinez, que foi postado aqui no BdL em 18/12/08. Se quiser lembrar, reveja aqui.



Escrito por Laert Sarrumor às 19h23
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Concreto Armado 8 - Ventania...



Escrito por Stocker às 15h06
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As melhores ficaram por último

Na ausência do autor, Sarrumor canta “Conchette”...

 

Dussek, a pedidos, canta sua linda e profética “Nostradamus”. Pura emoção...

 

Uma ótima semana a todos.



Escrito por Laert Sarrumor às 12h05
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E dá-lhe videos!

Improvisando com meu ídolo. Que honra!...

Sarrumor e Falcão dando aula de francês, estágio avançado. Ótima pra esse dia das mães...

 

E a nega estava impossível! Cantou Fio maravilha em francês e queria até tirar a roupa...

 



Escrito por Laert Sarrumor às 17h43
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Mais quatro

As mulheres arrasaram, sábado passado, no cabarré da virrada!

As meninas do Can Can...

A menina do Bambolê...

 

A nega, com calor na bacurinha, agarrando Sergio Gama por trás...

 

Cleide Alexandre com seu vestidinho cor de rosa...

 



Escrito por Laert Sarrumor às 00h40
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